segunda-feira, fevereiro 28, 2005

domingo, fevereiro 27, 2005

"o composto tem um problema de imagem"


(foto: green gardener)

Quem o diz é Allan Shepherd, o autor de "How to make soil and save Earth". É uma frase que eu cito sempre que é necessário "defender a honra" deste importante ingrediente para qualquer jardim. Composto rima com porcaria, mau cheiro, moscas e mosquitos e, pior que tudo, ... com minhocas. Mesmo os mais "verdes" conseguem evocar as maiores desculpas para não aderirem à compostagem.
No entanto, o recurso a este método de decomposição biológica é cada vez mais aconselhado. Para além de ajudar à resolução do grave problema dos resíduos sólidos urbanos, o composto é um fertilizante natural, barato e de excelente qualidade, quando correctamente produzido.

Compostagem
A compostagem é um método de transformação aeróbica de matéria orgânica por meio da acção de determinados microrganismos. A adição do composto ao solo melhora a sua estrutura, a sua capacidade de retenção de água, a actividade microbiana, o seu arejamento e aumenta a sua fertilidade.
Para aderir à compostagem, é necessário fazer ou adquirir um compostor. As lojas de bricolagem e artigos para jardim oferecem uma selecção variada. Quem vive num apartamento, mas não vê nesse facto um obstáculo à compostagem, poderá criar um mini-compostor para colocar no exterior (varanda ou pátio) a partir de um normal balde de lixo. Devem ser feitos buracos na tampa e a meio do balde para facilitar a oxigenação e a evaporação. No fundo do balde (que não deverá acentar totalmente no chão), devem ser feitos furos que permitam a drenagem mas não a saída de composto.
Uma vez forrado com papel de jornal, é só seguir as dicas do Centro de Demonstração de Compostagem da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica e do Centro de Compostagem Caseira da Horta da Formiga para se tornar num(a) verdadeiro/a compostador/a.

sábado, fevereiro 26, 2005

ver camélias


Não imagino o Porto sem camélias a abrir nas árvores ou a colorir os relvados com as suas pétalas caídas.
Hoje, o tempo destinado à jardinagem será substituído por uma visita ao Viveiro Municipal do Porto (Quinta das Areias). A visita é guiada pelo Dr. João Gonçalves da Costa e organizada pela Associação Campo Aberto (contacto@campoaberto.pt).

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

jardineira de fim-de-semana


amsterdão 2004

Como não posso jardinar à semana (à hora a que acabo de trabalhar já o sol desapareceu), desforro-me na leitura: livros sobre a história dos jardins e das plantas ou livros técnicos vão tomando vez na mesa-de-cabeceira. Aos pares, lidos alternadamente :-) Ocupam-me actualmente, nos trinta minutos prévios ao sono, "Spade, Skirret and Parsnip: the curious history of vegetables"e "The Plant Hunters: two hundred years of adventure and discovery around the world".
Neste último, relatam-se as campanhas britânicas de recolha de exemplares botânicos (plantas, sementes e alimentos exóticos) para investigação, cultivo e comércio. Da viagem de Sir Joseph Banks a bordo do Endeavour às expedições de Frank Kingdon-Ward no reino da papoila azul (meconopsis betonicifolia), as histórias contadas neste livro permitem-nos conhecer a verdadeira origem de plantas como a orquídea, o rododendro ou a araucária, e ainda os detalhes da vida aventurosa destes corajosos botânicos.

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

day after

Que roseira irá ser esta? Anã, trepadeira, com ou sem espinhos?

domingo, fevereiro 20, 2005

uma papoila crescia crescia



"Uma papoila crescia, crescia, grito vermelho num campo qualquer. Como ela somos livres, somos livres de crescer".
Hoje é dia de eleições!

papaver
as papoilas são flores campestres, delicadas (a flor dura pouco tempo, as suas pétalas sáo finíssimas), que ficam bem em qualquer canteiro. Além das famosas papoiolas vermelhas, podemos encontrar ainda brancas, laranja, rosa ou amarelas. Autopropagam-se facilmente.
A papaver orientale (a minha preferida) é uma vivaz, que cresce em tufos e floresce da Primavera até meados do Verão. As suas flores têm um diâmetro acima da média. No final do Verão, às flores sucedem as cápsulas de sementes que se podem guardar até à Primavera seguinte.
Devem ser cultivadas em solo fértil, com boa drenagem, ao sol. Na Primavera, podem ser semeadas em local abrigado e, depois, transplantadas. A parte aérea das papaver orientale deve ser cortada após a floração para forçar o aparecimento de novas flores no Verão.

sábado, fevereiro 19, 2005

sábado à tarde



Estava uma tarde tão simpática que não resisti a adiar os trabalhos do mestrado. Para lá do muro, o meu vizinho entretinha-se nas podas. Trocamos lamúrias acerca do tempo que está a deixar "baralhadas" as plantas. Passamos de lá para cá e de cá para lá as sementes de sobra de cada um: tomate coração de boi para ele, penca da Póvoa para mim. Riu-se imenso com os nomes dos outros legumes que semeei em alfobre: pastinaca, aipo, tomate-cereja. "Ó menina, deixe-se disso! Plante mas é uns cebolos, umas ricas pencas... Olha agora, legumes da terra dos bifes"! Tive de guardar para mim a minha devoção pela sopa de pastinacas com maçãs e gengibre. Descobri-a na cantina da Universidade e aqueceu-me no inverno inglês do ano passado. Deliciosa!
Transplantei os ranúnculos para um canteiro que já tinha estrumado há uma semana. Descobri um estrume sem cheiro na Jardiland (não consigo resistir a estas "modernices"). Plantei begónias e semeei zínias e sécias (Princesa!). Preparei um alfobre em mini-estufas para as mui delicadas e sensíveis violas brancas e "olho-de-tigre" que ando a tentar criar há imenso tempo. Desta vez, seguirei à risca as indicações do produtor das sementes.
Mondei os canteiros previamente regados. A terra deve estar boa porque as urtigas voltaram a aparecer em força. Sachei entre as roseiras, preparando a terra para receber um adubo biológico à base de sangue bovino. Achei que esta informação poderia interessar ao meu vizinho, uma vez que ele é o dono do talho do largo. "Então não sei? Como é que pensa que eu adubo os meus vasos?" E deu-me a receita para as suas plantas vistosas: pôr uma cabeça de boi de molho em água e regar com esse preparado no dia seguinte! Pois ...

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

little sparta



cupid arrow (fotografia de philip hunter)

O jardim de Ian Hamilton Finlay (Dunsyre . Reino Unido).

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

ainda as peónias

Tenho a certeza que são peónias, e não peonias como já ouvi alguém chamar. É um nome que faz parte do meu imaginário de infância, de tanto ouvir a minha Avó dizê-lo. Acho que, a par das rosas, eram as flores preferidas dela.
Apesar disso, nunca tivemos peónias no jardim. Restava-me imaginá-las, gordas e imponentes, a decorar um chapéu de palha de uma senhora igualmente anafada, corada e bem disposta.

Cultivar peónias
Plantar - as peónias devem ser plantadas em solo fértil e húmido, com boa drenagem, ao qual se deve adicionar composto antes de plantar. Preferem sol directo, embora também se possam desenvolver em sombra parcial. Gostam de crescer ao abrigo dos ventos frios e secos. As suas raízes não podem ser plantadas a mais de 2 cm de profundidade.
Adubar - se o solo tiver sido bem fertilizado na altura da plantação, pode não haver necessidade de adubar durante anos. No entanto, na falta de nutrientes, aplicar um punhado de composto no inverno e regar.
Transplantar - ao contrário do escrito em alguns livros de jardinagem, há quem defenda que as peónias podem mesmo ser transplantadas. Especialmente se os seus tubérculos não tiverem sido ainda divididos.
Cortar - estacas de raiz no Inverno ou dividir os tubérculos no Outono ou no início da Primavera. As estacas semilenhosas das peónias arbustivas podem ser cortadas no Verão.
Podar - as hastes das peónias arbustivas que deram flor no ano anterior e os ramos velhos devem ser podados para fomentar a emissão de novos lançamentos.
Tratar - as peónias podem sofrer de murchidão-das peónias, uma doença causada por um fungo que torna os caules negros e flácidos (manchas castanhas ou cinzentas). Nesse caso, cortes os caules até à parte saudável, mesmo que subterrânea, e aplique um fungicida.
Se a peónia não florir - a falta de floração pode dever-se a três situações:
- foi plantada muito fundo. A solução é retirar o tubérculo da terra no Outono e voltar a plantá-la correctamente.
- se os botões estiverem secos, a planta não foi suficientemente regada durante a época de crescimento, na Primavera.
- muita sombra, o que pode provocar a secura dos botões.

sábado, fevereiro 05, 2005

urtica dioica



Acabei de ver na Blue Living deste mês um artigo sobre as urtigas no qual se recuperam imensas utilizações. Fiquei também a saber que as urtigas "picam" por acção de "um verdadeiro cocktail químico, rico em histamina, formiato de sódio, serotonina e acetilcolina, que está contido sobre pressão na base dos pêlos. Estes pêlos, também chamados dardos, estão impregnados de sílica, e quebram-se como autênticos vidros quando entram em contacto com a nossa epiderme, libertando o líquido urticante. A histamina é, então, a responsável pela sensação de queimadura". Explicado.
Para além das propriedades fertilizantes da sua infusão, rica em azoto, potássio, cálcio e magnésio, as urtigas (depois de arrancadas pela raiz!!) podem ser úteis nas hortas e jardins: a mesma infusão diluída é um potente insecticida biológico (contra pulgões, por exemplo) e, acrescentadas ao composto, aceleram a sua fermentação.
As suas folhas são deliciosas quando cozinhadas. Devem-se escolher as folhas mais jovens das urtigas sem flor. As folhas devem ser arrancadas dos caules e lavadas em três águas.
O seu uso culinário é praticamente o mesmo do espinafre. Em Itália, as urtigas substituem-no muitas vezes na preparação de massa fresca:

taglietelle con le ortiche
(taglietelle fresco com urtigas)

Lave cuidadosamente as folhas tenrinhas de 2 kg de urtigas em água fria. Branqueie-as em água a ferver com sal durante 1 minuto (até amolecerem). Escorra bem, expremendo bem o excesso de água. Forme 3/4 bolas do tamanho de um ovo. Coloque o resto das urtigas de parte. Deixe arrefecer.
Peneire 350 gr da farinha mais fina (semolina), com 300 gr de farinha tipo "00" para dentro de uma taça e junte sal e pimenta, 3 ovos, 10 gemas de ovo e as bolas de urtigas. Bata a massa (na batedeira ou à mão) até estar macia e de um verde brilhante; no caso de estar pegajosa, junte um pouquinho mais de farinha. Prepare a mesa de trabalho, pulverizando-a com farinha. Parta a massa em 2 partes e amasse-as com ambas as mãos durante 3-4 min. Embrulhe cada uma das partes de massa em glad e coloque no frigorífico durante pelo menos 1 hora.
Corte a massa em taglietelle (o melhor é cortar na máquina para fazer massa) e coza-a com as restantes urtigas em água abundante com sal, durante 1 minuto. Verifique a cozedura e, uma vez al dente, escorra e guarde 3-4 colheres de sopa da água da massa. Deite essa água numa tigela para massa (aquecida), adicione 150 gr de manteiga sem sal amolecida, sal e pimenta e finalmente a massa e as urtigas. Misture cuidadosamente e sirva imediatamente em porções individuais polvilhadas com parmesão ralado na hora.

(trad. de "River Cafe Cookbook Green", de Rose Gray e Ruth Rogers)

Se não estiver para "arriscar" tantos ovos nesta experiência, o esparregado é outra hipótese.

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

a horta da primavera

Ontem semeei favas, ervilhas, nabos e rabanetes. Um pouco tarde, mas decidi tentar a minha sorte.

Durante as férias de Carnaval, vou aplicar composto no terreno e prepará-lo para receber os rebentos quando for a altura de os transplantar. Re-aprendi a fazer composto, no ano passado, num curso na Horta da Formiga. Afinal, a compostagem era um hábito que eu já conhecia bem. Em casa dos meus avós, era costume depositar as folhas velhas das saladas, as cascas das batatas, da fruta e dos ovos num cantinho ao fundo do jardim. Eu achava aquilo medonho porque sabia que nas imediações dessa pilha a presença de minhocas gorrrrrdas era quase certa. Apesar de ser em plena cidade, gestos como estes de vaga reminiscência rural eram habituais: picar os troncos das couves para as galinhas, ferver as urtigas para fazer chá para "adubar" , plantar cravos túnicos no meio das roseiras para afastar as pragas eram algumas das actividades em que eu me lembro de participar.
Hábitos antigos, práticas biológicas que as cidades parecem descobrir agora.

chegaram as peónias!


Fizeram-me correr várias vezes para a Baixa, mas agora é certo: chegaram as peónias ao Alípio Dias. Vieram seis variedades diferentes e a fabulosa Sarah Bernhardt é uma delas.
Verdadeiras(os) aficionadas(os) devem consultar o site dos viveiros da Claire Austin.

quarta-feira, fevereiro 02, 2005