domingo, fevereiro 19, 2006

aproveitar uma manhã de chuva ...


... para fotografar as plantas em crescimento (na foto, alhos), colocar os vasos de peónias em local abrigado, cortar as camélias que se estragaram com a chuva, limpar os "presentes" das pombas que se têm vindo a abrigar na palmeira (estou feita! como posso dar a volta a isto??) e começar a fazer vasos para transplante de plantas pequeninas com papel de jornal.

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

narciso ou junquilho?


A par dos crocos, os narcisos e os junquilhos são as primeiras flores de plantas bolbosas a aparecer no jardim, no final do "desengraçado" período que precede a Primavera.
Para dar notícia deste feliz acontecimento, tive de, tal como a Sophie, relembrar a diferença entre as duas flores que frequentemente se confundem.
Graças à dica bibliográfica* da Urtiga, fiquei a saber que o termo narciso designa as variedades de flores formadas por uma coroa central, ou trombeta, rodeada por seis pétalas. O tamanho, proporção e cor da trombeta podem variar, e o mesmo se passa com as pétalas. Os narcisos que fazemos crescer nos nossos jardins foram obtidas a partir do narciso silvestre. O narciso mais cultivado é o narcissus (-de-trombeta) cuja única flor é do mesmo tamanho ou maior que as pétalas.
Ao contrário do narciso, o junquilho (n. jonquilla) caracteriza-se pelo seu cheiro e pelo conjunto de flores que nasce em cada caule, de cores que podem também variar*.
Fica aqui a mnemónica para o próximo ano: narciso = 1 flor/caule e junquilho = grupo de flores/caule.
Posso então declarar oficialmente a abertura dos narcisos no meu jardim!
* O livro do jardim, Selecções do Reader's Digest

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

um livro à quarta (III)

(fundo da imagem: print de Howard Sooley)
Gosto da forma como começa: Este libro trata de pequeñas cosas.
Adivinho um livro escrito por alguém atento, metódico e sistemático, com uma tremenda capacidade de ver e interpretar o que descobre. Depois de o folhear e ler a introdução, no tal fim de tarde na Laie, vejo que não me enganei. Revela-se um trabalho de reflexão sensível sobre os múltiplos processos e dinâmicas de paisagem (parques eólicos, caminhos de água, culturas intensivas de árvores, muros, jardins e pátios ...) registados ao longo de uma década.
As páginas dedicadas à "agricultura-floresta-paisagem" são as que mais me interessam. Encontrei uma referência útil aos engenhos da horta (os cataventos, os espantalhos, os suportes para plantas trepadeiras feitos de canas, por exemplo) que me ajudou a organizar as fotografias que tenho feito por aí sobre essas "engenhocas". Para além disso, ganhei novas inspirações para coleccionar outros truques e inventos - os sulcos distribuidores de água, os separadores de culturas, as protecções contra o sol e vento, as armadilhas e protecções contra pragas. Tudo isto numa página só!! Imaginem então a emoção que é ler as 283 páginas do livro...
Galí-Izard, Teresa. Los mismos paisajes. Ideas e interpretaciones │ The same landscapes. Ideas and interpretations. Barcelona: Editorial Gustavo Gili, 2005.

domingo, fevereiro 12, 2006

barcelona botànic


melianthus major (jardí botànic de barcelona)
É sempre um prazer viajar até Barcelona, uma cidade onde nunca se esgotam as aliciantes propostas de visita. Se a ida aos principais monumentos e equipamentos culturais se torna quase impossível ao fim-de-semana, há que procurar alternativas fora dos locais turísticos mais óbvios.
Um passeio pelos parques e jardins de Barcelona (com destaque para o Parc del Laberint d'Horta, um belo jardim-museu neoclássico), uma visita ao mercado da Boqueria e às suas tendas de floristas em plena Rambla ou uma manhã passada entre as espécies mediterrânicas do jardim botânico são alguns dos programas alternativos a realizar ao ar livre nesta cidade cheia de sol.
Destas três sugestões, destaco o Jardí Botànic de Barcelona, criado em 1930 em pleno parque de Montjuïc. Inicialmente, foi pensado como um jardim botânico histórico especializado na vegetação da Catalunha. Com o decorrer do tempo, foram sendo incorporadas novas colecções de plantas dos Pirinéus e das Ilhas Baleares, passando o jardim a desempenhar um importante papel na conservação da biodiversidade.
Após um período complicado em parte originado pela construção dos novos equipamentos olímpicos nas imediações, o jardim botânico fechou para restruturação.
O novo jardim foi aberto ao público em 1999, com uma nova proposta: a de representar a vegetação mediterrânea de todo o Mundo. Assim, e embora a sua procedência geográfica seja variada, o jardim dedica-se à conservação e divulgação de inúmeros exemplares botânicos de diferentes regiões do mundo com clima mediterrâneo (Austrália ao Chile ou mesmo África do Sul, por exemplo). Todos estes lugares correspondem ao mesmo tipo climático, caracterizado por verões quentes e secos, invernos suaves com geadas ocasionais e concentração de chuvas na primavera e outono.
A distribuição das plantas no jardim está pensada de acordo com as diferentes proveniências e estende-se ao longo de 14 hectares.
Neste precioso catálogo ao vivo podem conhecer-se de perto as variedades de espécies botânicas, descobrindo o seu verdadeiro nome e a sua classificação.
Ou ainda aprender algumas combinações de plantas, como por ex. a phoenix canariensis + aeonium arboreum que irei reproduzir no meu jardim.
De regresso ao centro, uma passagem pela Livraria Laie fecha o "programa botânico" em beleza. Apesar de não se tratar de uma livraria especializada no tema, a oferta de títulos sobre botânica, jardins e paisagem compensou a visita.
Mas, sobre isso, falaremos na próxima quarta-feira *: )

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

el cap de setmane passad


palau de la virreina, com vista para o mercado da boqueria

Crónicas da cidade que cheira a chocolate. Brevemente.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

um livro à quarta (II)


Às vezes pergunto-me como a minha vida seria diferente se, na altura de escolher o meu curso, tivesse tido em conta outras áreas de conhecimento que hoje me fascinam. A antropologia social é uma delas; a botânica é outra. Daí que este livro de Jack Goody (trad. de The Culture of Flowers), professor honorário na Universidade de Cambridge, seja o meu livro do momento.

Aproveitando uma boa parte do material (literatura, livros de viagens, de poetas etc.) e observações pessoais recolhidas ao longo de uma vida de investigação, o autor interroga-se sobre a universalidade e diversidade da "linguagem das flores"- os seus inúmeros significados, o poder simbólico e os usos religiosos e profanos.

Revendo o seu papel no Ocidente (desde a invenção do "paraíso", passando pela Idade Média até aos nossos dias), nas culturas islâmica, africana ou da China maoísta, Goody oferece-nos mais de 500 páginas que se lêem com um imenso prazer.

Goody, Jack - La culture des fleurs. Paris: Éditions du Seuil, 1994

segunda-feira, janeiro 30, 2006

palavras sábias

... as de Gertrude Jekyll, a mulher que transformou para sempre os jardins ingleses:
Some ladies asked me why their plant had died.
They had got it from the very best place, and they were sure they had done their very best for it ... They had made a nice hole with their new trowel, and for its sole benefit they had bought a tin of Concentrated Fertilizer. This they had emptied into the hole, put in the plant, and covered it up and given it lots of water, and - it had died. And yet these were the best and kindest of women, who would never have dreamed of feeding a new-born infant on beefsteaks and raw brandy.
Gertrude Jekyll (1843-1932) em Wood and Garden

sexta-feira, janeiro 27, 2006

a blogosfera (ainda) mais verde

um blog de uma "homónima"

e outros dois

sobre natureza

e etnobotânica nos Açores.

helichrysum italicum

Ao helichrysum italicum os portugueses chamam perpétua-das-areias. Pelo seu aroma intenso a caril, os ingleses baptizaram-no de curry plant.
Ao contrário do que muitos pensam, não é desta planta que se extrai o famoso tempero que os cozinheiros de Madrasta deram a conhecer aos ingleses no século XVIII. O verdadeiro pó de caril resulta de uma mistura de especiarias que varia de região para região.
Uma masala de caril pode conter sementes de coentro, de cominhos e de mostarda, diversos tipos de pimentas, malaguetas, gengibre, curcuma e até canela.
Assim, a utilização culinária desta planta parece resumir-se à aromatização de maioneses, saladas ou assados. Diz quem provou que o sabor nada tem de oriental.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

saudades de leicester

(pequenos bolbos de cebola vermelha comprados no Alípio)
... e das sanduíches de pão de forma com sementes variadas, barradas generosamente com paté de noz, lentilhas e cogumelos e uma boa camada de compota de cebola vermelha.

red onion marmalade
350 g de cebolas vermelhas, 25 g de manteiga, 225 ml de vinho tinto, 55 ml de vinagre tinto, sal e pimenta acabada de moer
Derreter a manteiga numa caçarola de tamanho médio, deitar as cebolas cortadas em meias rodelas e deixar que amoleçam durante 10 min em lume brando. Acrescentar o vinho e o vinagre, aumentar o lume até ferver ligeiramente e temperar com sal e pimenta. Reduzir o lume até ao mínimo, tapar e deixar cozer lentamente durante 50 min/1 h ou até o líquido se evaporar.
red onion marmalade (versão agridoce)
650 gr de cebola vermelha em meias rodelas, 2 colheres (sopa) de azeite, sal e pimenta, 150 gr de açúcar, 225 ml de vinagre de vinho tinto, 4 colheres (sopa) de vinagre de xerez, 2 colheres (sopa) de "creme de cassis", 1/4 colher (chá) de pimenta da jamaica.
Deitar as cebolas cortadas em meias rodelas numa caçarola, juntamente com o azeite, sal e pimenta e deixar cozer durante 10 min em lume brando, tapado. Acrescentar o açúcar, o vinho, o vinagre, o "creme de cassis" e a pimenta da Jamaica. Deixar cozer mais 30 min. Quando estiver pronto, deitar em frascos devidamente esterilizados e tapar. Comer só passados 3 / 4 dias.

mais receitas com cebola vermelha aqui.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

um livro à quarta (I)

"A Flora Portuguesa" de Gonçalo Sampaio, publicada no Porto em 1946 (2ª edição) é o livro que abre a minha colaboração nesta iniciativa .
Primeiro, porque se trata de uma obra relevante para o estudo do meu mais recente interesse: a história da botânica em Portugal. Depois, porque se trata de um recurso notável sobre a nossa flora autóctone.
Na segunda edição deste livro participaram alguns dos discípulos de Gonçalo Sampaio que, recorrendo a outras obras e notas suas, conseguiram avançar na classificação que ele havia deixado incompleta.
O material de trabalho que serviu de base a este estudo integra o Herbário da Universidade do Porto, à guarda do Instituto de Botânica Dr. Gonçalo Sampaio.

terça-feira, janeiro 24, 2006

em busca do tempo florido

O horologium florae de Carl Linnaeus (1707-1778) em versão virtual.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

lavandulas em sebe



A delimitar a zona de flores, comecei a plantar uma sebe de lavandulas. Para além de fornecer ensombramento a um canteiro demasiado exposto ao sol, servirá com certeza de habitat a algumas pragas e aos insectos auxiliares. Assim, podem ajudar a diminuir a presença de insectos nocivos nas culturas próximas e a aumentar a polinização (as abelhas adoram as flores de alfazema). Os seus pequenos arbustos servem ainda de corta-vento e regulam a temperatura nos canteiros que protegem.
Dá-se em todos os tipos de solo, bem drenado, embora algumas espécies prefiram um solo alcalino. Por se tratar de uma planta rústica, a quantidade de água necessária ao seu cultivo não é elevada.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

mais uma ciber-jardineira

À sombra d' azinheira, passeios irregulares pelos caminhos de jardins privados, com plantas que podem ser semeadas em qualquer lugar, crescer e florir.

terça-feira, janeiro 17, 2006

brrrr actividades de inverno

- limpeza total do jardim e da horta: limpei as folhas caídas, cortei e retirei todas as plantas que ainda subsistiam da época anterior. Parece incrível, mas ainda tivemos tomates e pimentos até há bem pouco tempo (isto anda mesmo trocado!). Uma parte irá fazer parte de uma nova pilha de composto, os troncos vão parar à lareira e as folhas suspeitas de plantas que apresentavam alguns sinais de infestação foram colocadas em sacos de lixo.
- preparação da terra: a estrutura do solo, neste momento um bocado barrento, irá melhorar com a mistura que fiz com o composto que guardei para esta altura. Os níveis baixos de azoto irão ser regulados com o "adubo verde" , pelo que tive de plantar mais favas.
- planeamento dos canteiros: um dos canteiros junto ao talhão da horta (em preparação, na fotografia) foi dedicado às aromáticas e flores que atraem insectos úteis ao controle biológico. Nos canteiros das rosas, deixei ficar todos os pés de roseira que, entretanto, já foram podados. Nestes canteiros, agrupei todos os cravos túnicos em bordadura. Num deles, fiz a experiência de associar rosas e alhos, aproveitando as suas propriedades fungicidas e antibacterianas.
No próximo fim-de-semana, será a vez dos canteiros de flores.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

cortaderia selloana



Antes de comunicar os últimos trabalhos no jardim e na horta, uma constatação: os baldios à volta do Porto foram invadidos pela erva-das-pampas (cortaderia selloana) e as suas plumas. Prevê-se um rápido domínio sobre a vegetação local, se não se tomarem medidas. É que esta planta invasora é um dos melhores exemplos de eficaz dispersão da semente pelo vento!
(actualização. 15.01.2006) - A cortaderia é uma planta nativa da América do Sul, Nova Zelândia e Nova Guiné. A cortaderia selloana é nativa do Brasil, Argentina e Chile. Aliás, o nome botânico desta gramínea vivaz ornamental deriva do espanhol 'corte', talvez em referência às suas folhas cortantes. Deve ter vindo parar a Portugal num acesso de exótico, por causa do qual nos chegaram muitas outras plantas que passaram a fazer parte dos nossos jardins. Lembro-me que, cá em casa, volta e meia, chegavam espécimes vindos de todo o lado e mais algum. À conta disso, tenho uma palmeira de 8m que continua teimosamente a crescer.: ) Bem, dizia eu que as ervas-das-pampas abrilhantaram muitos jardins portugueses. A sua presença adivinhava-se às vezes pela visão que se tinha dos penachos que espreitavam por cima dos muros. Muito provavelmente, as suas sementes levadas pelo vento pousaram nos campos baldios e aí encontraram terreno fértil para se desenvolverem. E hoje, é considerada uma das espécies com maior potencial invasor.

sábado, janeiro 07, 2006

pronta para sachar



Enxada binadora - ferramenta usada à superfície do solo para cortar ervas daninhas, cobrir as hortícolas com terra e abrir valas para sementeiras pouco profundas.
Na hora de escolher, preferir:
- um cabo agradável ao toque, macio e de comprimento confortável (usado sem grande prejuízo para as costas)
- um resistente encaixe da enxada no cabo
- uma cabeça da enxada em aço inoxidável (não enferruja, dura mais e é fácil de limpar)

(na foto, enxada binadora Bellota)

sexta-feira, janeiro 06, 2006

janeiro na horta e no jardim



Lavoura das terras e preparação das culturas de Inverno, como a da batata, iniciando-se, onde for possível, a plantação precoce. A poda na Lua Minguante é recomendável, mas nas figueiras, laranjeiras e macieiras os grandes cortes são prejudiciais. Excertos no Crescente. Semear favas e ervilhas de variedades e de desenvolvimento rápido. No Norte e no Centro, semear centeio, couve galega, nabo, nabiça, rabanete, salsa e tomate. No Sul, abóbora, cenoura, couves, ervilha, feijão, nabiça e tomate. Em estufa ou cama quente, plantar pepino, melão, pimento e abóbora. Em local definitivo cenoura curta, alho, cebola, alfaces, ervilha, alho-porro e salsa. Transplantar para viveiro: couve-flor, fava, feijão, etc. Na horta, semear (em canteiros ou alfobres bem abrigados e defendidos das geadas) alface romana, couves repolho e sabóia, rabanete, fava, ervilha e grão-de-bico. Colher couves, espinafres, etc. No jardim, semear begónia, ervilha-de-cheiro, gipsofila, girassol, lírio, paciências, flor-de-lis. Colher violetas, amores perfeitos, camélias, jacintos, tulipas, etc.
(Borda d' Água 2006)

 Quarto Crescente: 4-14 de Janeiro
 Quarto Minguante: 22-29 de Janeiro

domingo, janeiro 01, 2006

decisão de ano novo



Ano Novo, canteiros novos.
Por causa de uma constipação monumental, tive de limitar os meus trabalhos de jardinagem de ano novo ao planeamento dos canteiros de flores. O estudo começou com o levantamento das questões a colocar antes de partir para o desenho:

- aspectos físicos do jardim:
* o tamanho
* a forma
* o tipo de solo
* a exposição solar e aos ventos
* as plantas já existentes a manter / a eliminar
* a existência de plantas e animais "amigos"

- a minha relação com o jardim
* o meu tempo disponível / necessidade de manutenção
* o estilo para o jardim + jardins favoritos
* as plantas que gostaria de ter e coleccionar
* a utilização do jardim

As respostas seguem nos próximos posts.