segunda-feira, janeiro 30, 2006

palavras sábias

... as de Gertrude Jekyll, a mulher que transformou para sempre os jardins ingleses:
Some ladies asked me why their plant had died.
They had got it from the very best place, and they were sure they had done their very best for it ... They had made a nice hole with their new trowel, and for its sole benefit they had bought a tin of Concentrated Fertilizer. This they had emptied into the hole, put in the plant, and covered it up and given it lots of water, and - it had died. And yet these were the best and kindest of women, who would never have dreamed of feeding a new-born infant on beefsteaks and raw brandy.
Gertrude Jekyll (1843-1932) em Wood and Garden

sexta-feira, janeiro 27, 2006

a blogosfera (ainda) mais verde

um blog de uma "homónima"

e outros dois

sobre natureza

e etnobotânica nos Açores.

helichrysum italicum

Ao helichrysum italicum os portugueses chamam perpétua-das-areias. Pelo seu aroma intenso a caril, os ingleses baptizaram-no de curry plant.
Ao contrário do que muitos pensam, não é desta planta que se extrai o famoso tempero que os cozinheiros de Madrasta deram a conhecer aos ingleses no século XVIII. O verdadeiro pó de caril resulta de uma mistura de especiarias que varia de região para região.
Uma masala de caril pode conter sementes de coentro, de cominhos e de mostarda, diversos tipos de pimentas, malaguetas, gengibre, curcuma e até canela.
Assim, a utilização culinária desta planta parece resumir-se à aromatização de maioneses, saladas ou assados. Diz quem provou que o sabor nada tem de oriental.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

saudades de leicester

(pequenos bolbos de cebola vermelha comprados no Alípio)
... e das sanduíches de pão de forma com sementes variadas, barradas generosamente com paté de noz, lentilhas e cogumelos e uma boa camada de compota de cebola vermelha.

red onion marmalade
350 g de cebolas vermelhas, 25 g de manteiga, 225 ml de vinho tinto, 55 ml de vinagre tinto, sal e pimenta acabada de moer
Derreter a manteiga numa caçarola de tamanho médio, deitar as cebolas cortadas em meias rodelas e deixar que amoleçam durante 10 min em lume brando. Acrescentar o vinho e o vinagre, aumentar o lume até ferver ligeiramente e temperar com sal e pimenta. Reduzir o lume até ao mínimo, tapar e deixar cozer lentamente durante 50 min/1 h ou até o líquido se evaporar.
red onion marmalade (versão agridoce)
650 gr de cebola vermelha em meias rodelas, 2 colheres (sopa) de azeite, sal e pimenta, 150 gr de açúcar, 225 ml de vinagre de vinho tinto, 4 colheres (sopa) de vinagre de xerez, 2 colheres (sopa) de "creme de cassis", 1/4 colher (chá) de pimenta da jamaica.
Deitar as cebolas cortadas em meias rodelas numa caçarola, juntamente com o azeite, sal e pimenta e deixar cozer durante 10 min em lume brando, tapado. Acrescentar o açúcar, o vinho, o vinagre, o "creme de cassis" e a pimenta da Jamaica. Deixar cozer mais 30 min. Quando estiver pronto, deitar em frascos devidamente esterilizados e tapar. Comer só passados 3 / 4 dias.

mais receitas com cebola vermelha aqui.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

um livro à quarta (I)

"A Flora Portuguesa" de Gonçalo Sampaio, publicada no Porto em 1946 (2ª edição) é o livro que abre a minha colaboração nesta iniciativa .
Primeiro, porque se trata de uma obra relevante para o estudo do meu mais recente interesse: a história da botânica em Portugal. Depois, porque se trata de um recurso notável sobre a nossa flora autóctone.
Na segunda edição deste livro participaram alguns dos discípulos de Gonçalo Sampaio que, recorrendo a outras obras e notas suas, conseguiram avançar na classificação que ele havia deixado incompleta.
O material de trabalho que serviu de base a este estudo integra o Herbário da Universidade do Porto, à guarda do Instituto de Botânica Dr. Gonçalo Sampaio.

terça-feira, janeiro 24, 2006

em busca do tempo florido

O horologium florae de Carl Linnaeus (1707-1778) em versão virtual.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

lavandulas em sebe



A delimitar a zona de flores, comecei a plantar uma sebe de lavandulas. Para além de fornecer ensombramento a um canteiro demasiado exposto ao sol, servirá com certeza de habitat a algumas pragas e aos insectos auxiliares. Assim, podem ajudar a diminuir a presença de insectos nocivos nas culturas próximas e a aumentar a polinização (as abelhas adoram as flores de alfazema). Os seus pequenos arbustos servem ainda de corta-vento e regulam a temperatura nos canteiros que protegem.
Dá-se em todos os tipos de solo, bem drenado, embora algumas espécies prefiram um solo alcalino. Por se tratar de uma planta rústica, a quantidade de água necessária ao seu cultivo não é elevada.

quinta-feira, janeiro 19, 2006

mais uma ciber-jardineira

À sombra d' azinheira, passeios irregulares pelos caminhos de jardins privados, com plantas que podem ser semeadas em qualquer lugar, crescer e florir.

terça-feira, janeiro 17, 2006

brrrr actividades de inverno

- limpeza total do jardim e da horta: limpei as folhas caídas, cortei e retirei todas as plantas que ainda subsistiam da época anterior. Parece incrível, mas ainda tivemos tomates e pimentos até há bem pouco tempo (isto anda mesmo trocado!). Uma parte irá fazer parte de uma nova pilha de composto, os troncos vão parar à lareira e as folhas suspeitas de plantas que apresentavam alguns sinais de infestação foram colocadas em sacos de lixo.
- preparação da terra: a estrutura do solo, neste momento um bocado barrento, irá melhorar com a mistura que fiz com o composto que guardei para esta altura. Os níveis baixos de azoto irão ser regulados com o "adubo verde" , pelo que tive de plantar mais favas.
- planeamento dos canteiros: um dos canteiros junto ao talhão da horta (em preparação, na fotografia) foi dedicado às aromáticas e flores que atraem insectos úteis ao controle biológico. Nos canteiros das rosas, deixei ficar todos os pés de roseira que, entretanto, já foram podados. Nestes canteiros, agrupei todos os cravos túnicos em bordadura. Num deles, fiz a experiência de associar rosas e alhos, aproveitando as suas propriedades fungicidas e antibacterianas.
No próximo fim-de-semana, será a vez dos canteiros de flores.

segunda-feira, janeiro 09, 2006

cortaderia selloana



Antes de comunicar os últimos trabalhos no jardim e na horta, uma constatação: os baldios à volta do Porto foram invadidos pela erva-das-pampas (cortaderia selloana) e as suas plumas. Prevê-se um rápido domínio sobre a vegetação local, se não se tomarem medidas. É que esta planta invasora é um dos melhores exemplos de eficaz dispersão da semente pelo vento!
(actualização. 15.01.2006) - A cortaderia é uma planta nativa da América do Sul, Nova Zelândia e Nova Guiné. A cortaderia selloana é nativa do Brasil, Argentina e Chile. Aliás, o nome botânico desta gramínea vivaz ornamental deriva do espanhol 'corte', talvez em referência às suas folhas cortantes. Deve ter vindo parar a Portugal num acesso de exótico, por causa do qual nos chegaram muitas outras plantas que passaram a fazer parte dos nossos jardins. Lembro-me que, cá em casa, volta e meia, chegavam espécimes vindos de todo o lado e mais algum. À conta disso, tenho uma palmeira de 8m que continua teimosamente a crescer.: ) Bem, dizia eu que as ervas-das-pampas abrilhantaram muitos jardins portugueses. A sua presença adivinhava-se às vezes pela visão que se tinha dos penachos que espreitavam por cima dos muros. Muito provavelmente, as suas sementes levadas pelo vento pousaram nos campos baldios e aí encontraram terreno fértil para se desenvolverem. E hoje, é considerada uma das espécies com maior potencial invasor.

sábado, janeiro 07, 2006

pronta para sachar



Enxada binadora - ferramenta usada à superfície do solo para cortar ervas daninhas, cobrir as hortícolas com terra e abrir valas para sementeiras pouco profundas.
Na hora de escolher, preferir:
- um cabo agradável ao toque, macio e de comprimento confortável (usado sem grande prejuízo para as costas)
- um resistente encaixe da enxada no cabo
- uma cabeça da enxada em aço inoxidável (não enferruja, dura mais e é fácil de limpar)

(na foto, enxada binadora Bellota)

sexta-feira, janeiro 06, 2006

janeiro na horta e no jardim



Lavoura das terras e preparação das culturas de Inverno, como a da batata, iniciando-se, onde for possível, a plantação precoce. A poda na Lua Minguante é recomendável, mas nas figueiras, laranjeiras e macieiras os grandes cortes são prejudiciais. Excertos no Crescente. Semear favas e ervilhas de variedades e de desenvolvimento rápido. No Norte e no Centro, semear centeio, couve galega, nabo, nabiça, rabanete, salsa e tomate. No Sul, abóbora, cenoura, couves, ervilha, feijão, nabiça e tomate. Em estufa ou cama quente, plantar pepino, melão, pimento e abóbora. Em local definitivo cenoura curta, alho, cebola, alfaces, ervilha, alho-porro e salsa. Transplantar para viveiro: couve-flor, fava, feijão, etc. Na horta, semear (em canteiros ou alfobres bem abrigados e defendidos das geadas) alface romana, couves repolho e sabóia, rabanete, fava, ervilha e grão-de-bico. Colher couves, espinafres, etc. No jardim, semear begónia, ervilha-de-cheiro, gipsofila, girassol, lírio, paciências, flor-de-lis. Colher violetas, amores perfeitos, camélias, jacintos, tulipas, etc.
(Borda d' Água 2006)

 Quarto Crescente: 4-14 de Janeiro
 Quarto Minguante: 22-29 de Janeiro

domingo, janeiro 01, 2006

decisão de ano novo



Ano Novo, canteiros novos.
Por causa de uma constipação monumental, tive de limitar os meus trabalhos de jardinagem de ano novo ao planeamento dos canteiros de flores. O estudo começou com o levantamento das questões a colocar antes de partir para o desenho:

- aspectos físicos do jardim:
* o tamanho
* a forma
* o tipo de solo
* a exposição solar e aos ventos
* as plantas já existentes a manter / a eliminar
* a existência de plantas e animais "amigos"

- a minha relação com o jardim
* o meu tempo disponível / necessidade de manutenção
* o estilo para o jardim + jardins favoritos
* as plantas que gostaria de ter e coleccionar
* a utilização do jardim

As respostas seguem nos próximos posts.

terça-feira, dezembro 27, 2005

euphorbia pulcherrima



E. pulcherrima, baptizada de poinsétia, mas também conhecida por estrela-do-natal ou cardeal, é a planta da época. Encontramo-la na primeira fila dos hortos, nas montras dos talhos, em versão plástica nas lojas dos 300... Afinal, é mais uma invenção americana que invadiu os nossos Natais.
A poinsétia que conhecemos hoje é descendente de um arbusto nativo do México e da América Central, onde crescia espontaneamente. Os aztecas utilizavam as suas brácteas* para fazer tintos e a sua seiva para baixar a febre.
Em 1828, Joel Roberts Poinsett - o primeiro embaixador americano no México e famoso botânico - descobriu esta planta numa das suas saídas de campo. Impressionado com a sua beleza e cor, Poinsett recolheu algumas estacas da planta que enviou para as suas estufas na Carolina do Sul. Alguns anos mais tarde, a euphorbia pulcherrima era baptizada de poinsétia em honra do responsável pelo seu achamento.
A sua difusão e comercialização enquanto planta de interior deve-se a Paul Ecke, um floricultor da Califórnia. Ao reparar que a sua floração coincidia com a época natalícia, imediatamente transformou a poinsétia num dos símbolos do Natal. Várias espécies foram desenvolvidas e reduzidas para poderem ser usadas como plantas de interior. A Paul Ecke devem-se também as variedades mais conhecidas, às quais aquele floricultor deu nomes de membros da sua família: 'Barbara Ecke Supreme' (brácteas vermelho púrpura), ' Mrs. Paul Ecke' (brácteas vermelho sangue) e 'Ecke's White' (brácteas brancas).
As poinsétias são plantas que requerem imensos cuidados. Para "florirem" (ou seja, para que os seus botões e brácteas se formem) a tempo do Natal, as plantas devem ser sujeitas a um tratamento de luz que dura cerca de oito semanas. A partir do primeiro dia de Outubro, devem estar na total escuridão durante 14 horas por noite para que as suas folhas se transformem.

* folhas modificadas, frequentemente fazendo parte de uma flor (também, por ex., na buganvília)

sábado, dezembro 24, 2005

já cá canta...



... um ano de blogue!!!

Ultimamente, menos presente mas prestes a regressar em força às novidades florais e hortícolas.
Por isso, recebi esta prenda musical (que chegou em MP3):

O Jardim

Há tanto tempo que não me ocupo do jardim
A última vez estava frondoso
A buganvília a tingir-se de vermelho
Trepando
O perfume inebriante
E as festas ao cair da tarde
Parece que foram há séculos
Noutra encarnação
Os meus amigos traziam as bebidas
E a jovialidade
O jardim enchia-se de gente
De beijos
Pelos cantos
Sôfregos de desejo

Inventavamos planos de rebelião
Sonhos de transmutação
Passavamos horas a inventar
Entre duas carícias
Surgiam ideias puras e inocentes
Como a nossa vontade de tudo abarcar
Era um frenesim constante
Faz-me pena agora
Olhar para ele
Para as suas sebes abandonadas
De ramos retorcidos
Jaz tombada a grande epícea
E uma enorme cratera
Substitui os belos canteiros de outrora

Há tanto tempo que não me ocupo do jardim

Adolfo Luxúria Canibal e António Rafael, em Primavera de Destroços

(obg, PG. )

domingo, dezembro 18, 2005

o canteiro oriental



Acrescentei um pouco de exótico à horta com a plantação de um canteiro dedicado às ervas aromáticas vietnamitas, tailandesas, indonésias e de outras paragens asiáticas. Comecei pelos coentros e acrescentei mais uma variedade de malagueta (enquanto não encontro a verdadeira malagueta tailandesa, esguia e de um vermelho vivo), uma hortelã vietnamita e um exemplar de erva-principe (cymbopogon citratus). Esta última é um ingrediente presente em imensos pratos da cozinha tailandesa. Com a parte superior das suas folhas faz-se um chá altamente digestivo e refrescante.

Larp (Tailândia)
Torrar 2 colheres (sopa) de arroz numa frigideira, em lume médio, até os grãos adquirirem uma cor acastanhada-clara. Agitar a frigideira de vez em quando. Deixar arrefecer o arroz e moer num moínho de especiarias.
Cortar em cubos 400 gr de peito de frango, sem pele e desossado. Num wok, deitar 3 colheres (sopa) de sumo de lima, 150 ml de caldo de galinha e 3 colheres de sopa de molho de peixe (à venda nas mercearias com produtos orientais). Levar ao lume até ferver. Juntar o frango e mexer bem até a carne ficar branca.
Passar para uma tigela e acrescentar o arroz, 1-2 colheres (chá) de malaguetas moídas, 1 cebola vermelha picada, 2 caules (parte inferior) de erva-princípe e 2 colheres (chá) de casca de lima. Mexer tudo muito bem para ligar os ingredientes. Guarnecer com coentros ou hortelã e servir imediatamente.

(Adapt. Norman, Jill - ervas aromáticas e especiarias. Porto, Ed. Civilização)

regresso num domingo de sol



Hoje teve de ser, não resisti a meter as mãos na terra. Os afazeres profissionais não esperam, mas a natureza também não. Como consegui adiantar trabalho ontem, ganhei umas horas para a jardinagem.
Assim, o domingo começou com dois dos meus programas de jardinagem preferidos, na BBC Prime:
- Ground Force - numa versão sem o emblemático Alan Titchmarsh, a equipa liderada por Tommy Walsh e Charlie Dimmock transformam mais um jardim, numa corrida contra o tempo.
- Model Gardens- o programa consiste na remodelação total ou planificação de um pequeno jardim. O apresentador Sven Wombwell, com a ajuda preciosa dos modelos de Graham Avis, ajuda os donos a visualizar o aspecto final.
Inspirada por estes momentos de "jardinagem no sofá", segui para o jardim onde há muito que fazer. Desenganem-se aqueles que acham que no Inverno a jardinagem se torna pouco interessante. Apesar do ritmo abrandar um pouco, há muito a fazer: as podas de roseiras, de outros arbustos e de árvores de fruto, as sementeiras de ervilhas-de-cheiro, a plantação de bolbos variados, a limpeza de folhas secas e infestantes...
Pois então, ao trabalho!

sexta-feira, dezembro 09, 2005

mercado de produtos biológicos

Finalmente, concretizou-se o que já vinha a reclamar há muito tempo: um mercado de produtos biológicos que permite aos pequenos produtores escoar as suas culturas. Aos sábados, entre as 10h00 e as 18h00, no Núcleo Rural do Parque da Cidade do Porto (entrada pelo Beco das Carreiras, à Vilarinha). Para quem tem saudades do cheirinho das maçãs ou do sabor de uma sopa de abóbora a sério.

domingo, novembro 27, 2005

* suspiro *



* No jardim, aguardando a plantação:
- alguns novos bolbos de frésias, ranúnculos e anémonas

*Na horta, aguardando plano e sementeira:
- favas, ervilhas, alfaces, nabiças, nabos e rabanetes

* Na estante, aguardando a leitura:
-"L'Herbier du monde : Cinq siècles d'aventures et de passions botaniques au Muséum d'histoire naturelle" (a minha auto-prenda de Natal)
- "Art of the garden" (o catálogo de uma belíssima exposição na Tate)

terça-feira, novembro 22, 2005

ciber-agricultura

Animação na blogosfera! Mais duas novas moradas de ciber-agricultores:

- Hortelã verde - as experiências da aspirante a permacultora e agricultora biológica Irina Maia

- Agricultura - um blogue a seis mãos descoberto pelo sempre atento JRF

Espero conseguir voltar brevemente às lides bloguistas. Ufa Ufa, até já.