O horologium florae de Carl Linnaeus (1707-1778) em versão virtual.
terça-feira, janeiro 24, 2006
segunda-feira, janeiro 23, 2006
lavandulas em sebe

A delimitar a zona de flores, comecei a plantar uma sebe de lavandulas. Para além de fornecer ensombramento a um canteiro demasiado exposto ao sol, servirá com certeza de habitat a algumas pragas e aos insectos auxiliares. Assim, podem ajudar a diminuir a presença de insectos nocivos nas culturas próximas e a aumentar a polinização (as abelhas adoram as flores de alfazema). Os seus pequenos arbustos servem ainda de corta-vento e regulam a temperatura nos canteiros que protegem.
Dá-se em todos os tipos de solo, bem drenado, embora algumas espécies prefiram um solo alcalino. Por se tratar de uma planta rústica, a quantidade de água necessária ao seu cultivo não é elevada.
quinta-feira, janeiro 19, 2006
mais uma ciber-jardineira
À sombra d' azinheira, passeios irregulares pelos caminhos de jardins privados, com plantas que podem ser semeadas em qualquer lugar, crescer e florir.
terça-feira, janeiro 17, 2006
brrrr actividades de inverno
- limpeza total do jardim e da horta: limpei as folhas caídas, cortei e retirei todas as plantas que ainda subsistiam da época anterior. Parece incrível, mas ainda tivemos tomates e pimentos até há bem pouco tempo (isto anda mesmo trocado!). Uma parte irá fazer parte de uma nova pilha de composto, os troncos vão parar à lareira e as folhas suspeitas de plantas que apresentavam alguns sinais de infestação foram colocadas em sacos de lixo.
- preparação da terra: a estrutura do solo, neste momento um bocado barrento, irá melhorar com a mistura que fiz com o composto que guardei para esta altura. Os níveis baixos de azoto irão ser regulados com o "adubo verde" , pelo que tive de plantar mais favas.
- planeamento dos canteiros: um dos canteiros junto ao talhão da horta (em preparação, na fotografia) foi dedicado às aromáticas e flores que atraem insectos úteis ao controle biológico. Nos canteiros das rosas, deixei ficar todos os pés de roseira que, entretanto, já foram podados. Nestes canteiros, agrupei todos os cravos túnicos em bordadura. Num deles, fiz a experiência de associar rosas e alhos, aproveitando as suas propriedades fungicidas e antibacterianas.
No próximo fim-de-semana, será a vez dos canteiros de flores.
segunda-feira, janeiro 09, 2006
cortaderia selloana

Antes de comunicar os últimos trabalhos no jardim e na horta, uma constatação: os baldios à volta do Porto foram invadidos pela erva-das-pampas (cortaderia selloana) e as suas plumas. Prevê-se um rápido domínio sobre a vegetação local, se não se tomarem medidas. É que esta planta invasora é um dos melhores exemplos de eficaz dispersão da semente pelo vento!
(actualização. 15.01.2006) - A cortaderia é uma planta nativa da América do Sul, Nova Zelândia e Nova Guiné. A cortaderia selloana é nativa do Brasil, Argentina e Chile. Aliás, o nome botânico desta gramínea vivaz ornamental deriva do espanhol 'corte', talvez em referência às suas folhas cortantes. Deve ter vindo parar a Portugal num acesso de exótico, por causa do qual nos chegaram muitas outras plantas que passaram a fazer parte dos nossos jardins. Lembro-me que, cá em casa, volta e meia, chegavam espécimes vindos de todo o lado e mais algum. À conta disso, tenho uma palmeira de 8m que continua teimosamente a crescer.: ) Bem, dizia eu que as ervas-das-pampas abrilhantaram muitos jardins portugueses. A sua presença adivinhava-se às vezes pela visão que se tinha dos penachos que espreitavam por cima dos muros. Muito provavelmente, as suas sementes levadas pelo vento pousaram nos campos baldios e aí encontraram terreno fértil para se desenvolverem. E hoje, é considerada uma das espécies com maior potencial invasor.
sábado, janeiro 07, 2006
pronta para sachar

Enxada binadora - ferramenta usada à superfície do solo para cortar ervas daninhas, cobrir as hortícolas com terra e abrir valas para sementeiras pouco profundas.
Na hora de escolher, preferir:
- um cabo agradável ao toque, macio e de comprimento confortável (usado sem grande prejuízo para as costas)
- um resistente encaixe da enxada no cabo
- uma cabeça da enxada em aço inoxidável (não enferruja, dura mais e é fácil de limpar)
(na foto, enxada binadora Bellota)
sexta-feira, janeiro 06, 2006
janeiro na horta e no jardim

Lavoura das terras e preparação das culturas de Inverno, como a da batata, iniciando-se, onde for possível, a plantação precoce. A poda na Lua Minguante é recomendável, mas nas figueiras, laranjeiras e macieiras os grandes cortes são prejudiciais. Excertos no Crescente. Semear favas e ervilhas de variedades e de desenvolvimento rápido. No Norte e no Centro, semear centeio, couve galega, nabo, nabiça, rabanete, salsa e tomate. No Sul, abóbora, cenoura, couves, ervilha, feijão, nabiça e tomate. Em estufa ou cama quente, plantar pepino, melão, pimento e abóbora. Em local definitivo cenoura curta, alho, cebola, alfaces, ervilha, alho-porro e salsa. Transplantar para viveiro: couve-flor, fava, feijão, etc. Na horta, semear (em canteiros ou alfobres bem abrigados e defendidos das geadas) alface romana, couves repolho e sabóia, rabanete, fava, ervilha e grão-de-bico. Colher couves, espinafres, etc. No jardim, semear begónia, ervilha-de-cheiro, gipsofila, girassol, lírio, paciências, flor-de-lis. Colher violetas, amores perfeitos, camélias, jacintos, tulipas, etc.
(Borda d' Água 2006)
Quarto Crescente: 4-14 de Janeiro
Quarto Minguante: 22-29 de Janeiro
domingo, janeiro 01, 2006
decisão de ano novo

Ano Novo, canteiros novos.
Por causa de uma constipação monumental, tive de limitar os meus trabalhos de jardinagem de ano novo ao planeamento dos canteiros de flores. O estudo começou com o levantamento das questões a colocar antes de partir para o desenho:
- aspectos físicos do jardim:
* o tamanho
* a forma
* o tipo de solo
* a exposição solar e aos ventos
* as plantas já existentes a manter / a eliminar
* a existência de plantas e animais "amigos"
- a minha relação com o jardim
* o meu tempo disponível / necessidade de manutenção
* o estilo para o jardim + jardins favoritos
* as plantas que gostaria de ter e coleccionar
* a utilização do jardim
As respostas seguem nos próximos posts.
terça-feira, dezembro 27, 2005
euphorbia pulcherrima

E. pulcherrima, baptizada de poinsétia, mas também conhecida por estrela-do-natal ou cardeal, é a planta da época. Encontramo-la na primeira fila dos hortos, nas montras dos talhos, em versão plástica nas lojas dos 300... Afinal, é mais uma invenção americana que invadiu os nossos Natais.
A poinsétia que conhecemos hoje é descendente de um arbusto nativo do México e da América Central, onde crescia espontaneamente. Os aztecas utilizavam as suas brácteas* para fazer tintos e a sua seiva para baixar a febre.
Em 1828, Joel Roberts Poinsett - o primeiro embaixador americano no México e famoso botânico - descobriu esta planta numa das suas saídas de campo. Impressionado com a sua beleza e cor, Poinsett recolheu algumas estacas da planta que enviou para as suas estufas na Carolina do Sul. Alguns anos mais tarde, a euphorbia pulcherrima era baptizada de poinsétia em honra do responsável pelo seu achamento.
A sua difusão e comercialização enquanto planta de interior deve-se a Paul Ecke, um floricultor da Califórnia. Ao reparar que a sua floração coincidia com a época natalícia, imediatamente transformou a poinsétia num dos símbolos do Natal. Várias espécies foram desenvolvidas e reduzidas para poderem ser usadas como plantas de interior. A Paul Ecke devem-se também as variedades mais conhecidas, às quais aquele floricultor deu nomes de membros da sua família: 'Barbara Ecke Supreme' (brácteas vermelho púrpura), ' Mrs. Paul Ecke' (brácteas vermelho sangue) e 'Ecke's White' (brácteas brancas).
As poinsétias são plantas que requerem imensos cuidados. Para "florirem" (ou seja, para que os seus botões e brácteas se formem) a tempo do Natal, as plantas devem ser sujeitas a um tratamento de luz que dura cerca de oito semanas. A partir do primeiro dia de Outubro, devem estar na total escuridão durante 14 horas por noite para que as suas folhas se transformem.
* folhas modificadas, frequentemente fazendo parte de uma flor (também, por ex., na buganvília)
sábado, dezembro 24, 2005
já cá canta...

... um ano de blogue!!!
Ultimamente, menos presente mas prestes a regressar em força às novidades florais e hortícolas.
Por isso, recebi esta prenda musical (que chegou em MP3):
O Jardim
Há tanto tempo que não me ocupo do jardim
A última vez estava frondoso
A buganvília a tingir-se de vermelho
Trepando
O perfume inebriante
E as festas ao cair da tarde
Parece que foram há séculos
Noutra encarnação
Os meus amigos traziam as bebidas
E a jovialidade
O jardim enchia-se de gente
De beijos
Pelos cantos
Sôfregos de desejo
Inventavamos planos de rebelião
Sonhos de transmutação
Passavamos horas a inventar
Entre duas carícias
Surgiam ideias puras e inocentes
Como a nossa vontade de tudo abarcar
Era um frenesim constante
Faz-me pena agora
Olhar para ele
Para as suas sebes abandonadas
De ramos retorcidos
Jaz tombada a grande epícea
E uma enorme cratera
Substitui os belos canteiros de outrora
Há tanto tempo que não me ocupo do jardim
Adolfo Luxúria Canibal e António Rafael, em Primavera de Destroços
(obg, PG. )
domingo, dezembro 18, 2005
o canteiro oriental

Acrescentei um pouco de exótico à horta com a plantação de um canteiro dedicado às ervas aromáticas vietnamitas, tailandesas, indonésias e de outras paragens asiáticas. Comecei pelos coentros e acrescentei mais uma variedade de malagueta (enquanto não encontro a verdadeira malagueta tailandesa, esguia e de um vermelho vivo), uma hortelã vietnamita e um exemplar de erva-principe (cymbopogon citratus). Esta última é um ingrediente presente em imensos pratos da cozinha tailandesa. Com a parte superior das suas folhas faz-se um chá altamente digestivo e refrescante.
Larp (Tailândia)
Torrar 2 colheres (sopa) de arroz numa frigideira, em lume médio, até os grãos adquirirem uma cor acastanhada-clara. Agitar a frigideira de vez em quando. Deixar arrefecer o arroz e moer num moínho de especiarias.
Cortar em cubos 400 gr de peito de frango, sem pele e desossado. Num wok, deitar 3 colheres (sopa) de sumo de lima, 150 ml de caldo de galinha e 3 colheres de sopa de molho de peixe (à venda nas mercearias com produtos orientais). Levar ao lume até ferver. Juntar o frango e mexer bem até a carne ficar branca.
Passar para uma tigela e acrescentar o arroz, 1-2 colheres (chá) de malaguetas moídas, 1 cebola vermelha picada, 2 caules (parte inferior) de erva-princípe e 2 colheres (chá) de casca de lima. Mexer tudo muito bem para ligar os ingredientes. Guarnecer com coentros ou hortelã e servir imediatamente.
(Adapt. Norman, Jill - ervas aromáticas e especiarias. Porto, Ed. Civilização)
regresso num domingo de sol

Hoje teve de ser, não resisti a meter as mãos na terra. Os afazeres profissionais não esperam, mas a natureza também não. Como consegui adiantar trabalho ontem, ganhei umas horas para a jardinagem.
Assim, o domingo começou com dois dos meus programas de jardinagem preferidos, na BBC Prime:
- Ground Force - numa versão sem o emblemático Alan Titchmarsh, a equipa liderada por Tommy Walsh e Charlie Dimmock transformam mais um jardim, numa corrida contra o tempo.
- Model Gardens- o programa consiste na remodelação total ou planificação de um pequeno jardim. O apresentador Sven Wombwell, com a ajuda preciosa dos modelos de Graham Avis, ajuda os donos a visualizar o aspecto final.
Inspirada por estes momentos de "jardinagem no sofá", segui para o jardim onde há muito que fazer. Desenganem-se aqueles que acham que no Inverno a jardinagem se torna pouco interessante. Apesar do ritmo abrandar um pouco, há muito a fazer: as podas de roseiras, de outros arbustos e de árvores de fruto, as sementeiras de ervilhas-de-cheiro, a plantação de bolbos variados, a limpeza de folhas secas e infestantes...
Pois então, ao trabalho!
sexta-feira, dezembro 09, 2005
mercado de produtos biológicos
Finalmente, concretizou-se o que já vinha a reclamar há muito tempo: um mercado de produtos biológicos que permite aos pequenos produtores escoar as suas culturas. Aos sábados, entre as 10h00 e as 18h00, no Núcleo Rural do Parque da Cidade do Porto (entrada pelo Beco das Carreiras, à Vilarinha). Para quem tem saudades do cheirinho das maçãs ou do sabor de uma sopa de abóbora a sério.
domingo, novembro 27, 2005
* suspiro *

* No jardim, aguardando a plantação:
- alguns novos bolbos de frésias, ranúnculos e anémonas
*Na horta, aguardando plano e sementeira:
- favas, ervilhas, alfaces, nabiças, nabos e rabanetes
* Na estante, aguardando a leitura:
-"L'Herbier du monde : Cinq siècles d'aventures et de passions botaniques au Muséum d'histoire naturelle" (a minha auto-prenda de Natal)
- "Art of the garden" (o catálogo de uma belíssima exposição na Tate)
terça-feira, novembro 22, 2005
ciber-agricultura
Animação na blogosfera! Mais duas novas moradas de ciber-agricultores:
- Hortelã verde - as experiências da aspirante a permacultora e agricultora biológica Irina Maia
- Agricultura - um blogue a seis mãos descoberto pelo sempre atento JRF
Espero conseguir voltar brevemente às lides bloguistas. Ufa Ufa, até já.
- Hortelã verde - as experiências da aspirante a permacultora e agricultora biológica Irina Maia
- Agricultura - um blogue a seis mãos descoberto pelo sempre atento JRF
Espero conseguir voltar brevemente às lides bloguistas. Ufa Ufa, até já.
quarta-feira, novembro 16, 2005
musgo no coração
Foto: Helen Nodding
"Gente com musgo no coração" foi a definição de portuense mais bonita que eu ouvi até hoje.
Helen Nodding ensina como escrevê-la num graffitti muito especial.
segunda-feira, novembro 14, 2005
sábado: um dia com árvores

Pelo exercício da cidadania, pelo direito à participação na decisão sobre o espaço público, pelas árvores e pelas flores na Praça, de manhã.
À tarde, visita ao jardim dos SMAS onde fontes antigas da cidade repousam numa mata de belas e variadas árvores.
Manuela, Maria e Paulo, parabéns pelas iniciativas e obrigada por tratarem as árvores assim.
sexta-feira, novembro 11, 2005
o dia da papoila

Photo © Andrew Dunn
À 11ª hora do 11º dia do 11º mês de 1918, a paz voltou à frente ocidental. O Armistício assinalava o fim da I Grande Guerra. No Reino Unido, comemorou-se hoje o Remembrance Day e lembraram-se os mortos caídos nas duas Grandes Guerras. Cada britânico coloca na lapela uma papoila artificial comprada aos veteranos da Royal British Legion.
Tudo começou com o poema In Flanders Fields escrito pelo major canadiano John McCrae, no qual evocava os campos de batalha da frente ocidental. Os abalos causados pelas bombas no solo desses campos da Flandres haviam "despertado" as sementes de papoila que permaneciam adormecidas na terra há anos. Por sujestão da poetisa americana Moira Michael, usa-se esta flor em memória dos homens que tombaram nesses campos de sangue.
quinta-feira, novembro 10, 2005
concentração na avenida dos aliados e praça da liberdade
sábado, 12 de novembro, às 11h00
organização: Aliados
"A Câmara e a Metro do Porto preparam-se para transformar a Avenida dos Aliados e a Praça da Liberdade, de alto a baixo, num deserto cinzento, sem cor e sem alma. Como já sucedeu no alto da avenida, serão abatidas árvores, e desaparecerão os canteiros e os desenhos da calçada para darem lugar ao granito inóspito. À revelia da lei e do respeito que é devido aos cidadãos, os portuenses não foram tidos nem achados nesta transformação. A cidade é de todos, não da Câmara e muito menos da Metro. Ninguém tem o direito de destruir a memória da cidade contra a vontade dos cidadãos. Neste momento decisivo da história da cidade, o Porto precisa de si. Manifeste-se connosco. Juntos na Praça da Liberdade, pela Praça da Liberdade".
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