segunda-feira, novembro 07, 2005

artesanato ambiental



Descobri estas casas para pássaros na loja de produtos biológicos do Mercado de Matosinhos. São construídas em madeiras reutilizadas e pintadas com óleos naturais. Hummm o ninho Clérigos parece ser o mais adequado aos passarinhos de um jardim portuense *:)

domingo, novembro 06, 2005

unidades scoville



A escala Scoville foi criada em 1912 pelo farmacêutico Wilbur Scoville, para medir o grau de picante das capsicum sp. (família das pimentas). A unidade mede a capsaicin, o produto químico que a pimenta contem e que provoca a sensação de ardor. Hoje, utiliza-se um método mais científico do que o original (que era um teste comparativo). No entanto, manteve-se a denominação "Scoville" em homenagem a Wilbur Scoville.
A pimenta mais picante que existe é a Habanero, classificada em mais de 350,000 unidades Scoville.

malaguetas contra pulgões


Mais uma receita de repelente natural para pulgões: triturar um punhado de malaguetas secas com dois dentes de alho (o alho actua como fungicida enquanto que o cheiro da malagueta repele). Misturar num litro de água e deixar de molho de um dia para o outro. Filtrar e diluir em 5 litros de água. Testar numa folha antes de pulverizar nas plantas (se a concentração for alta de mais, pode queimar as plantas. Por isso, deve-se testar primeiro e diluir mais se necessário). Não se deve aplicar este preparado em dias de muito sol. O contacto com a pele e com os olhos deve ser evitado.

sexta-feira, novembro 04, 2005

o vegetal como vocábulo da arquitectura III



Conhecia o trabalho de design colorido de Gaetano Pesce, mas não sabia que no seu curriculum constavam também obras de arquitectura. Neste apanhado de obras nas quais a natureza cruza com a arquitectura, inclui-se THE ORGANIC BUILDING (1990-1993), um edifício no coração da baixa de Osaka (Japão). Gaetano Pesce partilha a autoria desta torre com outro arquitecto, Olafur Thordarson.
O prédio foi concebido para ser um espaço comercial e um símbolo do crescimento económico e vitalidade da segunda maior cidade japonesa. Para materializar este conceito, os arquitectos inspiraram-se na metáfora do jardim. Dado o preço elevado do m2 nesta cidade de elevada densidade, o jardim foi concebido como um elemento vertical da fachada.
Inspirando-se na planta mais característica do jardim japonês (o bambú), a dupla de arquitectos desenvolveu um jardim vertical fortemente marcado por uma superfície ondulante que contrasta em termos cromáticos com o cinzento dos outros edifícios do bairro. Nos diversos nichos que o constituem foram colocados 80 tipos diferentes de plantas e árvores autóctones, escolhidas em parceria com horticultores de Osaka. Um sistema de rega automático e complexo hidrata continuamente as plantas.
Em 1994, o edifício foi declarado um jardim público municipal, o que obriga à sua manutenção perpétua.

onde entregar pesticidas e afins

Obrigada, C.Rosas pelo comentário que, pela importância, passo a transcrever:

"Julgo que ainda não existe mesmo um sítio para a entrega destes produtos. Mas, em breve, será possível entregá-las em algumas cooperativas agrícolas, através do sistema de recolha destas embalagens que está a ser implementado, como informação aqui."

quarta-feira, novembro 02, 2005

um jardim livre de químicos


A acção de sensibilização da classe política para a questão da contaminação química, organizada hoje pela Quercus, recorda-nos mais uma vez que vivemos expostos a elevados níveis de toxicidade. A solução do problema, num plano individual, pode começar por aqui: libertar o jardim dos produtos químicos e optar por uma jardinagem biológica.
- Usar as mãos cada vez mais - no combate às lesmas e caracóis e na guerra contra os pulgões.
- Manter o jardim limpo, varrendo as folhas mortas e acabando com as pilhas de vasos vazios num canto do jardim. Estes simples gestos previnem o aparecimento de doenças e, consequentemente, a necessidade de pesticidas. Diminuem também a fonte de alimentação e abrigo de lesmas e caracóis.
- Instalar um comedouro para pássaros, que assim terão uma razão para visitar o jardim mais vezes. E, na volta, contribuirão para o controle de bicharada nociva.
- Usar tratamentos biológicos para madeira, pondo de parte os vernizes, tintas e solventes feitos à base de petróleo, vinyl ou outros componentes tóxicos. Em vez disso, procurar produtos feitos à base de óleos, água, cera e pigmentos naturais.
- Plantar sebes e flores que possam atrair insectos auxiliares ao controle de pestes (alecrim, rosmaninho, alfazema, calêndulas, por exemplo).
- Utilizar produtos biológicos no combate às pestes; ou pelo menos, produtos químicos aceites pela jardinagem biológica, como a calda bordalesa.
- Usar a enxada para retirar as ervas daninhas. Nos casos mais rebeldes, cobrir o solo com manta geotérmica para travar o seu crescimento.
- Aderir à compostagem - mais palavras para quê? *: )
- Optar por um prado em vez de relvado, porque necessita de menor manutenção, atrai vida selvagem e ... é lindooooooo.
- Livrar-se de todos os produtos químicos que tenha vindo a utilizar (pesticidas, herbicidas, iscos para caracóis, etc). Até à data, ainda não descobri quem me dissesse onde se devem entregar estes produtos. Sei que não é nas farmácias ... Se alguém descobrir, deixe p.f. o comentário.

terça-feira, novembro 01, 2005

allium sativum


Enquanto o plano da nova horta não fica pronto, aproveitei uma aberta neste tempo de chuva para plantar alhos. Trouxe alhos de semente* do Alípio com tal "perfume" que a urgência na plantação se impôs.
Dividi os bolbos (dentes) das cabeças de alhos e plantei-os em solo enriquecido com composto, com o lado plano para baixo, à distância de um palmo entre cada bolbo.
Os alhos ficam mesmo assim, com a parte por onde sairá o rebento de fora. Por isso, devem ser protegidos dos pássaros com uma rede.
* os melhores bolbos da colheita anterior são guardados para semente. São preferíveis aos alhos que se compram no mercado para consumo culinário pois estes, muitas vezes, são tratados para não "grelarem".

domingo, outubro 30, 2005

o vegetal como vocábulo da arquitectura II

(foto: arc en rêve)
Continuando a pesquisa sobre projectos que combinam arquitectura e natureza, encontrei Anne Lacaton e Jean-Philippe Vassal. Se a principal preocupação dos dois arquitectos franceses é a economia da arquitectura (bem patente no tipo de materiais que usam), "habitar a paisagem" parece ser o lema destas três obras do seu atelier:
- Casa Latapie - Floirac, França (1993) - uma casa feita de enormes espaços livres e modulares, com envólucros protectores semelhantes a estufas hortícolas (tal como a casa em Coutras (2000), na foto)
- Departamento de Artes & Ciências Humanas - Universidade de Grenoble, França (1995) - um edifício donde se avistam as montanhas através de uma fachada envidraçada, na qual se inseriram bambus (do lado norte) e buganvíleas (do lado sul).
- Casa em Lège-Cap-Ferret, França (1998) - a vontade de preservar a natureza levou-os a dissimular uma casa sobre pilotis no meio de um pinhal. As árvores atravessam a casa e o espaço interior é organizado em seu redor.
(fora de contexto, mas digna de menção, outra obra interessante desta dupla francesa: o projecto de renovação do Palais de Tokyo, Paris)

quarta-feira, outubro 26, 2005

leitura no metro



O verdadeiro mundo rural ainda existe, ou é já ficção? Faz sentido continuarmos a insistir na divisão cidade vs campo? O penúltimo número da revista Granta levanta e debate estas questões, acolhendo o imaginário rural de quase uma dezena de autores de língua inglesa : Craig Taylor regressa a Akenfield, Barry Lopez inicia-nos na arte da pesca do salmão, enquanto que Tim Adams regista os últimos momentos da caça à raposa. As páginas sobre iconografia rural e um passeio guiado por Robert Macfarlane pela escuridão da noite no campo encerram em beleza este volume.
Igualmente estimulante, a revista Hortus que se apresenta como a Granta da escrita sobre jardins. Alguns extratos do último número aqui.

segunda-feira, outubro 24, 2005

mini-cursos de jardinagem


Foi no Jardim Botânico da Ajuda que eu tirei o meu primeiro curso de jardinagem. Tinha acabado de sair de um esgotante projecto de três anos e, por momentos, cheguei até a pensar mudar o rumo da minha vida profissional. Com o curso, percebi que essa mudança não seria tão imediata como eu imaginava e acabei por regressar novamente à museologia e ... ao meu jardim.
passeio - cogumelos
No próximo dia 10 de Novembro, vai ter lugar mais uma actividade organizada pelo Jardim Botânico da Ajuda - Instituto Superior de Agronomia: um passeio para identificação e colheita de cogumelos num montado em Grândola, seguido de almoço em Alcácer do Sal. À tarde, os cogumelos colhidos serão separados e identificados. A sessão será orientada pelo Dr. Jorge Estrela e pela Engª Helena Machado. O preço, que inclui transporte em autocarro e almoço, é de 90 € (glups).
Para inscrições e informações, telefonar para 96.9534386 ou 21.3622503 (também é fax) ou enviar e.mail para henriqueta.coelho@clix.pt

domingo, outubro 23, 2005

analisar a terra


Antes de preparar a terra para as próximas plantações, resolvi retirar uma amostra de cada um dos canteiros para analisar. Retirei amostras a cerca de 20 cm de profundidade (nas zonas dos bolbos e hortícolas) e 40 cm nos canteiros de rosas. Esta análise permitirá verificar se a terra é ácida (abaixo de 7), básica ou alcalina (acima de 7) ou neutra (igual a 7)* e os níveis de azoto, fósforo e potássio.
No Porto, as análises ao solo podem ser feitas na Direcção Regional de Agricultura de Entre Douro e Minho (Rua Restauração 336, tel. 2.6062045).
* o solo ideal para cultivar plantas deverá ter um pH entre 5 e 6.

sábado, outubro 15, 2005

continuando a poupar água

A chuva já cá está (como diz um amigo meu, "obrigado aos índios") mas um plano de poupança de água continua a ser necessário. Por isso, o Ecoclube de Mindelo organiza uma palestra através da qual pretende sensibilizar para este sério problema. É hoje, pelas 14h30, na Associação Cultural e Desportiva de Mindelo.
Via João (Bioterra), chega-nos a notícia de um sistema de rega automático que aplica a água nas culturas no momento e quantidade ideias. O sistema é regulado por sensores que "interpretam" as solicitações hídricas das plantas durante a fotossíntese.
E uma vez que se adivinha uma longa espera até à aplicação de equipamentos similares a este nos nossos espaços verdes, esperemos pelo menos que casos destes não voltem a acontecer.

quarta-feira, outubro 12, 2005

o floricultor fotógrafo


Aurélio Paz dos Reis (Col. Cinemateca Portuguesa)
Há mais de um dia que ando fascinada com a descoberta: Aurélio Paz dos Reis (Porto, 1862 - id 1931), pioneiro do cinema em Portugal, fotógrafo, republicano convicto, era também floricultor. Em 1893, na Praça D. Pedro (a actual Praça da Liberdade), abriu ao público a sua "Flora Portuense". Na loja de floricultura, a par dos produtos hortícolas e flores, das plantas e sementes, Aurélio vendia também máquinas fotográficas, jornais, livros e revistas da especialidade. Da combinação destas duas paixões, resultou esta fotografia de uma dália indiana premiada num concurso do Palácio de Cristal. E ainda muitas estereografias* , uma das quais apresenta a família de Paz dos Reis num ambiente naturalista e bucólico.
* estereografia - imagens duplas captadas com máquinas de lentes gémeas; quando visualizadas através de um estereoscópio, produz-se um efeito tridimensional.

domingo, outubro 09, 2005

escolher bolbos



Está na hora de escolher os bolbos das flores da Primavera! E se há altura que me deixa feliz é esta, porque fico horas a imaginar as misturas de cores, as combinações de tamanhos e as texturas das plantas que resultarão daí. Os bolbos de tulipas, jacintos, narcisos (amarelos e brancos) e iris aguardam o regresso à terra dentro de bolsas feitas com collants (há que reciclar!!) que estão penduradas no tecto da carvoeira (um anexo do jardim que, como o nome indica, servia para guardar o carvão e ainda o papel que se ia pondo de lado. Todas as semanas, o "Manuel do Saco" vinha levantar o papel para a "farrapeira"). Como não sei a cor dos bolbos de tulipas holandesas (obrigada, LM!), vou ter algumas surpresas lá pelo meio também.
Na terra, desde o ano passado, ficaram os bolbos das anémonas, dos ranúnculos, dos crocos, das campaínhas e das minhas favoritas frésias. Talvez reforce alguns canteiros com a compra de novos bolbos destes.

como escolher bolbos
Por uma questão de maior confiança, costumo comprar sempre os bolbos a granel numa loja de sementes (normalmente, no Alípio). Para além de os poder escolher um a um, tenho a certeza que são de qualidade e acabadinhos de chegar.
Escolho os maiores (os pequenos nem sempre florescem; podem, no entanto, florescer no ano seguinte), os mais rijos, de casca intacta e aqueles que não apresentem manchas, riscas ou podridão.
Os bolbos que tenham já rebentado são de evitar. No entanto, quando se deixa a compra de bolbos para tarde, é natural que isso aconteça. Nesse caso, devem escolher-se os que tiverem os rebentos mais pequenos.

quarta-feira, outubro 05, 2005

nas nuvens



Sempre gostei de conhecer o mundo imenso que se esconde dentro das palavras. Quando fui estudar para o Reino Unido, aprendi que os genericamente apelidados por cá de indianos se diferenciam entre si consoante a sua língua-mãe, que há muitas expressões para nomear uma e que há imensas variedades de batatas (para além da nossa classificação "branca" e "vermelha").
Recentemente, descobri que podemos ser ainda mais precisos quando falamos de nuvens.

(mais tipos de nuvens)

terça-feira, outubro 04, 2005

o nome dos ventos

Não resisto a colocar um link para o post sobre ventos d' Um amador da Natureza.

segunda-feira, outubro 03, 2005

o vegetal como vocábulo da arquitectura



Com tanta animação astrofísica, a comemoração do Dia Mundial da Arquitectura ... eclipsou-se!
Para que não passe despercebido, apresento-vos um dos meus projectos preferidos que comprova uma relação mais íntima entre arquitectura e o universo vegetal.
À partida, estas duas noções podem parecer antagónicas: se a primeira se revê mais facilmente no mundo mineral, a segunda remete para ideia de organismo vivo, instável e frágil. No entanto, a utilização de vegetação na arquitectura multiplicou nos últimos anos, assumindo funções de estrutura, revestimento ou filtro.
Um dos projectos mais interessantes nesta área é o muro vegetal da Fundação Cartier (Paris), projectado pelo botânico Patrick Blanc para o arquitecto Jean Nouvel.
Investigador no laboratório de Biologia vegetal tropical do CNRS , Patrick Blanc especializou-se no estudo da adaptação das plantas ao meio, particularmente as que vivem sob condições extremas (como as que crescem nas florestas tropicais).
A partir da observação das plantas na natureza, elaborou um sistema de cultura vertical de plantas, sem terra. A sua referência é a vegetação que cresce nos troncos de árvores e rochedos das florestas húmidas. Filodendros e antúrios são dispostos numa superfície de feltro hortícola e desenvolvem a sua folhagem em jardim suspenso.
Para além desta intervenção sobre a arquitectura de vidro de Jean Nouvel, Patrick Blanc realizou muros vegetais em Chaumont-sur-Loire, no Hotel Pershing Hall e no Museu do Quai Branly, entre outros.

domingo, outubro 02, 2005

água leva o regador



Como a chuva não vem, há que continuar a regar o jardim. Não esquecendo que a poupança de água é, e será, sempre obrigatória!
Acertar com a quantidade certa de água para cada tipo de planta (sem a matar à sede ou encharcar) é um exercício de rigor que distingue um bom de um mau jardineiro.
Na EP[S] de 11 de setembro de 2005, Pilar Gómez-Centurión ensina-nos um dos segredos mais importantes da jardinagem: a rega.

(dic. - césped = relvado; macetas = floreiras)

quarta-feira, setembro 28, 2005

percursos [na paisagem]


01-02 Out - Parque de Serralves
16h00, 18h00

Percursos sonoros e gestuais coreografados para o parque de Serralves por Akio Suzuki e Kunko Wada.

terça-feira, setembro 27, 2005

consociações


Chelsea Flower Show 2005

Embora não esteja ainda totalmente comprovado cientificamente, há quem defenda que há combinações de certas plantas (plantas companheiras) que estimulam o seu crescimento através da competição ou complementação que estabelecem entre si. Segundo a ficha dedicada ao tema pela Horta da Formiga, as consociações ajudam no combate às pragas e às ervas infestantes e promovem uma melhor utilização dos nutrientes do solo. Combinadas com a prática da rotação de culturas, as consociações poderão ainda estimular a produtividade.
A tabela das consociações favoráveis e desfavoráveis pode ser descarregada a partir da página Downloads.