quarta-feira, maio 25, 2005
domingo, maio 22, 2005
cozinhar ao sol

Diz quem o tem que a água ferve em 20 minutos e que tudo o que aqui é cozinhado sabe melhor. Acrescento que este forno solar (que parece saído de um filme de Mr. Lucas!) é fruto da investigação nacional sobre energias alternativas, combinada com know how da indústria de moldes em Portugal. O galo de Barcelos que há em mim não cabe em si de orgulho!
terça-feira, maio 17, 2005
agricultura urbana e sustentabilidade local
domingo, maio 15, 2005
arrrrggg, lesmas!

É um clássico da jardinagem, este ódio às lesmas e caracóis. Não os odeio pelo seu aspecto (:-) eu também gostaria de andar pelo mundo de casa às costas :-)!), mas pelo estrago que causam no meu jardim. Depois de quase uma semana sem lá pôr os pés, fui dar com as folhas das zínias completamente furadas. Pelo nexo de causalidade entre a lesma imediatamente descoberta nas imediações e aquele facto, só posso pronunciar um veredicto: a fotogénica lesma é culpada.
Combate às lesmas e caracóis
No último número da "Gardener's world", Helen Yemm apresenta as principais armas de combate na guerra contra estes temíveis invasores:
1. combater até à morte: Os caracóis adoooooram cerveja e citrinos, sendo atraídos pelo seu cheiro. Essa atracção pode ser fatal se usar aquelas "armas" em alternativa aos venenos químicos:
- armadilha de cerveja - existem à venda no mercado, mas podem ser feitas com metades de garrafas de plástico (enterradas ao nível do solo, com a tampa para baixo, cheias de cerveja). Se não pretende a morte do inimigo por afogamento mas apenas o seu "atordoamento", pode fazer um isco misturando a cerveja com farelo. Depois, pode largá-los longe para curarem a ressaca.
- laranja - colocar metade de uma laranja no chão. Assim que apanhar lá os caracóis, deite-lhes sal por cima.
2. bloquear o avanço do inimigo: os caracóis e as lesmas odeiam deslizar sobre superfícies rugosas. Por isso, rodeie as culturas de uma barreira feita com cinza, serrim (que também lhes deve secar o visgo necessário à progressão no solo), conchas partidas ou cascas de ovo esmagadas. Pode colocar também em torno das plantas ou aplicar nos vasos uma tira de cobre que irá actuar como condutor de electridade, provocando um pequeno choque no caracol ou lesma que ousar aproximar-se.
3. antecipar-se ao inimigo: por vezes, um bom resultado só poderá ser atingido através da combinação de vários métodos aqui descritos. No entanto, há modos de prevenir o seu avanço:
- os caracóis e as lesmas gostam de locais frescos e húmidos e saem do seu esconderijo à noite. Pode caçá-los depois do sol posto e deixá-los à mercê dos predadores durante o dia (voltem, passarinhos! Estão perdoados);
- nunca regue à noite;
- algumas plantas são odiadas pelos caracóis e lesmas. Como são bonitas, são duplamente bem-vindas ao jardim: a calendula (calendula officinalis), os cosmos (cosmos bipinnatus), a equinácea (echinacea purpurea), as papoila oriental e selvagem (papaver orientale e papaver rhoeas) e a alfazema são suficientemente ásperas e aromáticas para os afastar.
Para saber mais sobre o tema, consultar aqui.
troca de truques

Com os cotovelos em cima do muro, passei parte da tarde a trocar "mimos" com o vizinho. A conversa entre hortelões foi-se tornando num despique divertido: as maiores alfaces, os alhos franceses mais "gordos", as favas mais altas, a falta de estacas nos meus tomateiros (oops é a primeira vez que planto tomates sem ser cereja!)... Ele gozou com a minha "estufa" improvisada, eu meti-me com ele por causa do sistema de protecção dos magnórios que engendrou com sacos plásticos.
Dei-lhe a ideia de reforçar o sistema de protecção contra pássaros (ai melro, se te apanho! :-) ) com cd's velhos ou fitas de cassetes estragadas pendurados nas árvores.
Na próxima semana, tenho de arranjar tempo para proteger as cerejas da "brigada dos pássaros gulosos". Vou dar-lhes música, antes que eles ma dêem a mim!
segunda-feira, maio 09, 2005
botanizing on the asphalt *

* Benjamin, W.: Charles Baudelaire. A lyric poet in the era of high capitalism. Verso Books, 1983 (p. 36)
Acuso o meu romantismo! Tenho especial predilecção por estes apontamentos de cidade selvagens, campestres, de flora espontânea e (bio)diversa. Aos espaços verdes estereotipados e homogéneos prefiro outras alternativas de natureza: os prados que ainda subsistem na paisagem urbana ou as flores que caem dos muros e brotam dos passeios.
Para identificá-las melhor, procuro aqui.
(obrigada pela descoberta, M.)
domingo, maio 08, 2005
a semana do jardim

O Lidl dedica as promoções desta semana aos jardineiros: estufas com rede, sistemas de rega gota-a-gota, pás articuladas, etiquetas, acessórios para jardinagem, mangueiras com enrolador a preços simpáticos. Até 5ª feira.
sexta-feira, maio 06, 2005
eruca sativa

Começa a chegar o calor e apetece uma boa salada! Como reconheço a diferença entre uma alface comprada no supermercado e outra acabada de arrancar da horta, decidi cultivar este ano dois tipos de alface (frisada e lisa) e outras folhas para salada.
Uma delas, a rúcula, não deixa ninguém indiferente. Adoro o sabor levemente picante (a noz?) das folhas novinhas.
Semeei meio pacote de sementes bio há uma semana e meia atrás e ... tchan tchan tchan tchan ... aqui estão elas (ver foto). Como crescem muito depressa, poderão ser colhidas 6 semanas após a sementeira.
Esta crucífera natural dos países mediterrânicos pode ser cultivada em plena horta ou em vasos na varanda, ao sol ou semi-sombra. Prefere solos férteis, húmidos e bem drenados. A melhor época para a semear é a Primavera. No entanto, a sementeira pode ser repetida 2 ou 3 vezes até Setembro para assegurar uma produção contínua.
como preparar a rúcula
A rúcula pode ser consumida como qualquer outra folha para salada. Mas atenção: nunca deve ser temperada com vinaigrettes muito fortes!
salada de rúcula com frango
Cortar 4 peitos de frango em tiras e alourar num bocadinho de azeite. Temperar com sal e pimenta e tapar. Deixar cozer durante mais 5 minutos. Arranjar um pé de alface e 100 gr de rúcula. Descascar 2 laranjas e cortar em rodelas fininhas. Cortar as rodelas a meio. Preparar um molho com o sumo de uma laranja, 1 colher (chá) de vinagre balsâmico, 3 colheres (sopa) de bom azeite e uma pitada de sal. Dispor a alface, a rúcula, a laranja e o frango num prato. Regar com o molho, polvilhar com cebolinho picado e servir.
bruschetta (para uma refeição leeeeeeve)
Sobre uma torrada de pão de centeio colocar: metades de tomate-cereja previamente marinadas em azeite e uma pitada de sal + requeijão esfarelado ou fatias de queijo fresco + presunto desfiado + rúcula.
terça-feira, maio 03, 2005
lista de desejos * mini-banco de sementes

Ando a "cobiçar" este kit de um mini-banco de sementes lançado pelos jardins de Kew . É composto por uma mini-câmara de secagem e uma série de outros componentes que permitirão colher, processar e armazenar as sementes do meu jardim (e de outros). ;-)
bancos de sementes
Um pouco por todo o mundo têm sido reforçados ou constituidos bancos de sementes com o principal objectivo de desenvolver programas de recolha e conservação de sementes de flora nativa.
Agindo local ou globalmente, instituições como os tradicionais jardins botânicos (por exemplo Millennium Seed Bank Project) ou novos conservatórios ex situ como o Eden Project , têm vindo a apostar em acções que visam garantir a biodiversidade futura.
A par da investigação científica, muitos oferecem interessantes programas de educação ambiental e de sensibilização junto de vários tipos de público. Um dos mais interessantes é o Adopt a Veg, uma campanha que pretende salvar os legumes tradicionais britânicos. Lançada pela HDRA-the organic organisation, esta campanha incentiva a adopção de uma ou mais variedades de legumes que constam do seu banco de sementes.
No final do ano passado, foram também dados os primeiros passos no sentido da formação de uma rede de preservação de variedades locais em Portugal. Esperamos ter mais notícias em breve!
Entretanto, o Banco de sementes do Jardim Botânico da Universidade de Lisboa e o Index Seminum et Sporarum do Jardim Botânico da Universidade de Coimbra fazem as nossas delícias.
domingo, maio 01, 2005
i present thee, william shakespeare

Regressada às actividades jardineiras e hortícolas, fui brindada com as primeiras flores das novas roseiras:
- William Shakespeare 2000 (David Austin)- uma roseira inglesa de flor de um vermelho profundo que, gradualmente, vai passando a púrpura. Tive de cortar a rosa porque o seu peso era demasiado para os caules ainda "tenrinhos" da planta. Perdeu o jardim, mas ficou a ganhar a sala. O perfume é ainda melhor do que eu pensava! Chega aí???
- Just Joey (David Austin) - uma roseira híbrida Chá de flores de um laranja acobreado.
- Jacques Cartier (Delbard) - os primeiros botões desta roseira híbrida Portland prometem um arbusto cheio de flores cor-de-rosa suave, dentro de pouco tempo.
Consociações - plantas "amigas" das roseiras
Uma forma de combater as pragas mais comuns das roseiras parece ser a sua combinação com outras plantas, colocadas na sua proximidade mas afastadas da zona em torno da sua raíz:
- chagas e cravos túnicos: protegem contra os afídios (pulgões);
- alhos: exerce uma acção fitossanitária e previne contra o míldio.
Para além de fomentar a saúde das roseiras (através de uma relação que ainda ninguém conseguiu comprovar científicamente), as consociações promovem o habitat de insectos que são inimigos naturais das pragas (como as joaninhas, por exemplo).
quarta-feira, abril 27, 2005
jardins 2005
A Associação Campo Aberto vai promover mais uma sessão do ciclo de visitas Jardins 2005.
No dia 28 de Maio (sábado), às 14h30, as pessoas inscritas na iniciativa visitarão a Quinta do Alão, em Leça do Balio.
O ponto de partida para a visita será o Mosteiro de Leça do Balio às14h15. Os simpáticos organizadores acrescentam ainda que poderão arranjar boleia do Porto até Leça do Balio para quem a solicitar.
"A Casa de Recarei, na Quinta do Alão, está referenciada desde o século XV. Os jardins actuais, notavelmente bem mantidos, têm um cunho seiscentista, com alguns acrescentos recentes de muito bom gosto. São talvez os jardins antigos mais bem conservados de todo o Grande Porto, e os únicos da região que merecem destaque no livro "Jardins com História" (coord. Cristina Castel-Branco,Edições Inapa 2002)."
Não esquecer que a inscrição é obrigatória!
No dia 28 de Maio (sábado), às 14h30, as pessoas inscritas na iniciativa visitarão a Quinta do Alão, em Leça do Balio.
O ponto de partida para a visita será o Mosteiro de Leça do Balio às14h15. Os simpáticos organizadores acrescentam ainda que poderão arranjar boleia do Porto até Leça do Balio para quem a solicitar.
"A Casa de Recarei, na Quinta do Alão, está referenciada desde o século XV. Os jardins actuais, notavelmente bem mantidos, têm um cunho seiscentista, com alguns acrescentos recentes de muito bom gosto. São talvez os jardins antigos mais bem conservados de todo o Grande Porto, e os únicos da região que merecem destaque no livro "Jardins com História" (coord. Cristina Castel-Branco,Edições Inapa 2002)."
Não esquecer que a inscrição é obrigatória!
segunda-feira, abril 25, 2005
sábado, abril 23, 2005
livro de cabeceira

E está na hora de comemorar o Dia Mundial do Livro e dos Direitos de Autor! Vou "recolher-me" a ler o livro que actualmente ocupa a minha mesa-de-cabeceira: "L'année du jardinier" (Zahradnikuv rok) do escritor checo Karel Čapek * (1890-1938).
Em "L’année du jardinier", Čapek descreve as tarefas, as alegrias e obsessões dos jardineiros e desvenda essa arte de organizar o encontro entre o humano, o vegetal e o ciclo natural da vida.
* curiosidade: Karel Čapek notabilizou-se como o primeiro autor a usar e divulgar a palavra robot (do checo robota=trabalho).
annual seed distribution scheme

Todos os anos, no mês de Abril, a minha atenção ao correio redobra. Por esta altura, dá-se a chegada de uma encomenda especial: as sementes distribuídas pela RHS aos seus membros através do Annual Seed Distribution Scheme.
No Outono passado, fiz as minhas escolhas a partir da lista de sementes provenientes dos jardins do RHS. Como o tão esperado pacote chegou ontem, vou passar o fim-de-semana a organizar as sementes por estações e a estudar os métodos de germinação das que poderão ser semeadas na Primavera.
A chuva já pode cair à vontade :-).
quinta-feira, abril 21, 2005
verde que te quero verde

(a propósito da questão dos Aliados, e como complemento ao meu comentário aqui)
algumas questões mais:
- conseguirão as associações da cidade e os munícipes demover a CMP da sua actual avidez por ícones urbanos, da qual resultou esta desarticulada e forçada operação de branding ?
- conseguirá a participação pública manifestar-se para além da nostalgia e da emoção?
- conseguirão os políticos contrapôr para além do populismo?
- surgirão ideias criativas e inovadoras orientadas para a pluralidade?
- ouvir-se-á quem chega (e não só quem cá vive)?
- entender-se-á o verde para além da sua dimensão romântica?
Há muito cepticismo por aqui...
terça-feira, abril 19, 2005
horta urbana leopoldo

Para nostálgicos do campo,vegans gulosos, mães exigentes e todos aqueles para quem uma varanda é suficiente para cultivar uma horta: depois da mesa de cultivo, a horta urbana Leopoldo !
Mas, como quem não tem cão caça com gato, os vulgares cestos com rodas devem cumprir a função. Se experimentarem, mandem fotos!
uma horta no telhado (para AL)

(foto: arts4all)
Em 1993, em plena cidade de Chicago, Job Ebenezer provou ser possível cultivar legumes no topo de um edifício público... em piscinas de tela. Quatro anos depois, os jardineiros envolvidos neste projecto colheram 446 kg de legumes (tomates, pepinos, pimentos, courgettes e uma variedade de "verdes"). Tudo isto em 38 piscinas!
Também disponível na versão "pneu" e "saco de polietileno". :-)
segunda-feira, abril 18, 2005
a cerejeira em flor, Avô!

Flores de cerejeira no céu escuro
e entre elas a melancolia
quase a florir.
(haiku de matsuo bashô em "o gosto solitário do orvalho, seguido de o caminho estreito", assírio & alvim)
domingo, abril 17, 2005
"baga da palha"

É exactamente isso que a palavra inglesa strawberry quer dizer. Não sei se tem directamente a ver com o facto de se espalhar palha por baixo dos frutos e em redor das plantas para impedir o crescimento das daninhas e manter os frutos limpos...
As minhas tarefas de fim-de-semana resumiram-se a isso: proteger os morangueiros com palha e rede anti-pássaros.
fragaria
Introduzido nos jardins na Idade Média, o morangueiro é uma planta rasteira de pequeno porte da família botânica das Rosaceae.
Segundo Alphonse de Candolle (Origine des plantes cultivées, 1883), o morango no seu estado selvagem é uma planta espontânea que se expandiu pelo mundo inteiro (Europa, América e Ásia). Atraídos pelos frutos carnudos, os pássaros transportaram as suas sementes até aos lugares mais distantes. As espécies europeias, de pequena dimensão e produção irregular, foram cruzadas no século XVII com espécies nativas trazidas do continente americano pelos colonizadores (ex. fragaria virginiana) . Destes cruzamentos resultaram as diversas variedades de morangos que hoje conhecemos.
Há dois tipos de morangueiros: os remontantes (produzem continuamente de Junho a Outubro) e não-remontantes (mais resistentes, produzem frutos só uma vez por ano entre Abril e Junho).
Os morangos devem ser plantados em Agosto/Setembro (não-remontantes) ou na Primavera (remontantes). Crescem em solos ricos e bem drenados, em bordaduras ou cultura extensiva. Mas também se podem plantar em vasos suspensos (algumas variedades podem assim ser cultivados na varanda) e em recipientes com aberturas (potes ou barris de madeira).
comer morangos
... regados com sumo de limão, temperados com licor ou água de rosas, mergulhados em vinho do Porto ou champanhe, macerados em vinagre balsâmico...
... com natas ou chocolate, em tarte, sorvete, charlotte, mousse ...
A minha confecção preferida? Lavados e ao natural!
quinta-feira, abril 14, 2005
feira de alternativas ecológicas aos transgénicos

E transcrevo (obrigada, Natália):
"Perante a ameaça à vida natural na Terra e numa altura em que Portugal (seguindo a Comunidade Europeia) abre as portas à produção de transgénicos, abrindo um processo irreversível de ameaça à biodiversidade, queremos expôr melhor esse problema e divulgar soluções ecológicas a esta situação que nos afecta a todos.
Com o sol da primavera a aquecer e o florir à nossa volta juntemo-nos com:
* Comidinha anti-transgénica para uma consciência mais saudável do indivíduo.
* Filme documentário com vozes indígenas e suas visões sobre a ciência ocidental. Trata-se de uma mensagem para as futuras gerações ameaçadas pela engenharia genética. Uma critica ao novo colonialismo global de uma monocultura que vai eliminando a biodiversidade nativa da natureza e das culturas humanas.
* Banquinhas de artesanato, fanzines e produtos alimentares caseiros biológicos.
* A presença de colectivos diversos que trabalham de formas diversas por uma crescente consciência ecológica.
* A presença de um cientista em defesa dos transgénicos: Doctor Cromo Soma directamente da Universidade do Arganzas.
* Música ao vivo: Contesta com Testa
Em defesa da Diversidade Cultural e Biológica. "
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