segunda-feira, abril 18, 2005

a cerejeira em flor, Avô!


Flores de cerejeira no céu escuro
e entre elas a melancolia
quase a florir.

(haiku de matsuo bashô em "o gosto solitário do orvalho, seguido de o caminho estreito", assírio & alvim)

domingo, abril 17, 2005

"baga da palha"


É exactamente isso que a palavra inglesa strawberry quer dizer. Não sei se tem directamente a ver com o facto de se espalhar palha por baixo dos frutos e em redor das plantas para impedir o crescimento das daninhas e manter os frutos limpos...
As minhas tarefas de fim-de-semana resumiram-se a isso: proteger os morangueiros com palha e rede anti-pássaros.

fragaria
Introduzido nos jardins na Idade Média, o morangueiro é uma planta rasteira de pequeno porte da família botânica das Rosaceae.
Segundo Alphonse de Candolle (Origine des plantes cultivées, 1883), o morango no seu estado selvagem é uma planta espontânea que se expandiu pelo mundo inteiro (Europa, América e Ásia). Atraídos pelos frutos carnudos, os pássaros transportaram as suas sementes até aos lugares mais distantes. As espécies europeias, de pequena dimensão e produção irregular, foram cruzadas no século XVII com espécies nativas trazidas do continente americano pelos colonizadores (ex. fragaria virginiana) . Destes cruzamentos resultaram as diversas variedades de morangos que hoje conhecemos.

Há dois tipos de morangueiros: os remontantes (produzem continuamente de Junho a Outubro) e não-remontantes (mais resistentes, produzem frutos só uma vez por ano entre Abril e Junho).
Os morangos devem ser plantados em Agosto/Setembro (não-remontantes) ou na Primavera (remontantes). Crescem em solos ricos e bem drenados, em bordaduras ou cultura extensiva. Mas também se podem plantar em vasos suspensos (algumas variedades podem assim ser cultivados na varanda) e em recipientes com aberturas (potes ou barris de madeira).

comer morangos
... regados com sumo de limão, temperados com licor ou água de rosas, mergulhados em vinho do Porto ou champanhe, macerados em vinagre balsâmico...

... com natas ou chocolate, em tarte, sorvete, charlotte, mousse ...
A minha confecção preferida? Lavados e ao natural!

quinta-feira, abril 14, 2005

feira de alternativas ecológicas aos transgénicos



E transcrevo (obrigada, Natália):

"Perante a ameaça à vida natural na Terra e numa altura em que Portugal (seguindo a Comunidade Europeia) abre as portas à produção de transgénicos, abrindo um processo irreversível de ameaça à biodiversidade, queremos expôr melhor esse problema e divulgar soluções ecológicas a esta situação que nos afecta a todos.
Com o sol da primavera a aquecer e o florir à nossa volta juntemo-nos com:
* Comidinha anti-transgénica para uma consciência mais saudável do indivíduo.
* Filme documentário com vozes indígenas e suas visões sobre a ciência ocidental. Trata-se de uma mensagem para as futuras gerações ameaçadas pela engenharia genética. Uma critica ao novo colonialismo global de uma monocultura que vai eliminando a biodiversidade nativa da natureza e das culturas humanas.
* Banquinhas de artesanato, fanzines e produtos alimentares caseiros biológicos.
* A presença de colectivos diversos que trabalham de formas diversas por uma crescente consciência ecológica.
* A presença de um cientista em defesa dos transgénicos: Doctor Cromo Soma directamente da Universidade do Arganzas.
* Música ao vivo: Contesta com Testa

Em defesa da Diversidade Cultural e Biológica. "

quarta-feira, abril 13, 2005

terça-feira, abril 12, 2005

cidade saudável


Passei o último domingo no parque da cidade. Eu e mais algumas centenas de indivíduos de todas as idades, famílias inteiras e grupos de pais e filhos que preteriram os centros comerciais para virem gozar o ar livre e o sol.
Intensamente, aquele espaço (aparentemente) neutro oferecia-se ao desporto, ao passeio, ao descanso e ao jogo. Da relva, fui observando os diferentes grupos e as suas diversas exposições e coreografias: os banais jogadores de bola, o par concentrado nos seus exercícios de yoga, os observadores de patos, os ultra-equipados ciclistas, os frenéticos joggers, os plácidos leitores e os que, pura e simplesmente, estavam.
A descontração e a variedade de experiências que podemos oferecer-nos num espaço assim, aberto quer a amadores quer a connaisseurs da natureza, pode ser a razão para o seu imenso sucesso.

segunda-feira, abril 11, 2005

une petite vanité I


a linha de produtos para jardineiras(os) da Crabtree & Evelyn ilustrada por Laura Stoddart

sécia = aster


sécia pluma de avestruz (foto: edirectory)

As sécias são plantas perenes (callistephus) e pertencem à família das margaridas e malmequeres (compositae). Na literatura sobre plantas e jardins, aparecem normalmente como aster (e) ou reine marguerite (fr). São originais da China e terão possivelmente chegado à Europa no século XVII. As cores das suas pétalas são variadas (branco, vermelho, rosa, púrpura) e o seu centro é amarelo ou dourado. São flores de Verão - Outono, excelentes para bordaduras e canteiros. Em ramo, ficam fantásticas quando combinadas com bocas-de-lobo, zínias e íris.
Para saber mais sobre sécias, consultar Botanic ou RHS Online, por exemplo.

quinta-feira, abril 07, 2005

couves (com) coração


Pedro Brito, Livro de viagem III (Açores 2004)

São jardins inesperados, bizarros, constrangedores e fascinantes onde, com a mesma emoção e rigor de "um botânico no novo mundo", Pedro Brito nos apresenta espécies híbridas e mutantes em ambientes imersivos a explorar. Excelente surpresa para o final de um looongo e agitado dia de trabalho.

quarta-feira, abril 06, 2005

o feminino de hortelão...


... é hortelã, Margarida!? :-)

Ontem à noite, com as tabelas das consociações à minha frente, fiz o meu plano da horta:
- na 1ª fila - alface + tomate + repolho
- na 2ª fila - feijão + pepino + ervilha
e assim sucessivamente.

A consociação de culturas (associação compatível de culturas) é um dos princípios-base da agricultura biológica. Acredita-se que determinadas combinações de culturas são eficazes na prevenção e combate de pragas e doenças.

segunda-feira, abril 04, 2005

será desta???


Neste fim-de-semana, não houve grande tempo para jardinagens. Apesar de tudo, ainda deu para mondar o canteiro dos morangos, acabar de plantar os bolbos de gladíolos e transplantar as violas que semeei em meados de Fevereiro . Pequenas plantas de violetas brancas e minúsculos amores perfeitos (púrpura, olho-de-tigre e cuty) foram passadas para vasos individuais, devidamente identificadas com elásticos de cor diferente. Para já, ficarão dentro de um estufim, onde espero que possam vir a desenvolver-se ao abrigo da chuva.

domingo, abril 03, 2005

guerra aos pulgões


(foto JH)
Obrigada pelo mote, Teresa! Não há nada pior do que descobrir um "batalhão" de pulgões a fazer um pic-nic das nossas flores e legumes!
Enquanto as joaninhas não chegam, há outras formas "naturais" de combater os pulgões. Eis algumas das soluções que fui coleccionando:
- chá de tabaco - ferver 30 gr de tabaco num litro de água; coar o chá com um passador; diluir em 1 litro de água.
- spray de limão - deixar a casca de um limão de molho em 4 chávenas de água quente durante a noite; coar bem; adicionar 1 colher de chá de detergente da louça (sem amoníaco).
Colocar num pulverizador e passar ao ataque, não sem antes testar a sensibilidade da planta ao "insecticida".

quinta-feira, março 31, 2005

pendurem os guarda-chuvas


... porque a chuva parou. Mal posso esperar pelo final da tarde para pôr as mãos na terra: aplicar o composto na futura horta, preparar os canteiros das dálias e dos gladíolos e acabar de cortar a relva.

terça-feira, março 29, 2005

bloom


A melhor revista para celebrar as flores e todo o mundo vegetal. No número 11, uma excelente reportagem fotográfica sobre a Wiener Gemüseorchester (Orquestra de Legumes de Viena). Uma orquestra formada por oito músicos, um técnico de som e ... um cozinheiro.

domingo, março 27, 2005

páscoa feliz


(ilustração Marcel Marlier - Anita e as quatro estações)

A pena que eu tinha, quando era pequena, que a tradição de esconder ovos de Páscoa no jardim não fosse portuguesa...

sábado, março 26, 2005

dia de sementeira


As sementes minúsculas são difíceis de semear em viveiro. A melhor forma consiste em distribuí-las com um papel dobrado ou misturá-las com areia fina. As sementes devem ser espalhadas sobre o terreno húmido o mais regularmente possível e com a densidade que parecer conveniente.

outras informações úteis sobre sementeira em viveiro
1. lavar bem os vasos ou tabuleiros. Os copos de iogurte, os rolos de papel higiénico vazios ou as embalagens de ovos podem também servir como contentores para sementeiras.
2. a terra a usar nas sementeiras deve ser fofa e estar livre de outras sementes. Se se pretendem obter plantas para transplantar, a terra deverá ser pobre para favorecer a formação de raízes. O enriquecimento do solo deve só ser feito na fase da transplantação. A terra deve ser preparada 10 a 15 dias antes de semear. No número 2 da revista Terra Verde encontrei uma excelente receita para banir as ervas daninhas da terra para viveiros: ferver água, na proporção de 3 litros por m2 de terra a usar e regá-la rapidamente com a água em ebulição. Deixar a terra em repouso durante dois dias e utilizar. Também se pode usar substrato próprio para sementeiras à venda nas grandes superfícies.
3. ler bem as indicações na parte de trás do pacote de sementes sobre o quando, onde e como semear o seu conteúdo.
4. resistir à tentação de "despejar" todas as sementes para o vaso ou tabuleiro. O espaço conveniente ao desenvolvimento da planta deve ser respeitado.
5. nem todas as sementes necessitam de ser cobertas com terra. As sementes de papoila, ao contrário das violetas ou dos tomates, não precisam de ser cobertas. Procurar esta informação nos pacotes de sementes ou, no caso de dúvida, cobrir a sementeira com vermiculite (à venda nas lojas de jardinagem).
6. cobrir as sementeiras com filme transparente ("glad") ou com o plástico transparente com furinhos em que o pão é embalado nos supermercados.
7. manter os vasos ou tabuleiros a uma temperatura constante e quente (o peitoril da janela é um excelente local). Ter em atenção que há sementes que só germinam na total ausência de luz. Verificar se é o caso.
8. uma vez germinadas, remover os plásticos protectores e colocar os recipientes numa zona com boa luz.
9. quando as plantas já estiverem prontas para transplantar (ex. as alfaces estão prontas a transplantar quando têm 3 ou 4 folhas), pegar na planta por uma folha e retirar do vaso para um tabuleiro maior ou mesmo para o local definitivo.

ferramenta nova


Não posso deixar de registar a minha última aquisição: uma ferramenta que consiste na combinação de uma lança + gadanho (esquerda). Excelente para abrir os sulcos na terra para receber as plantinhas transplantadas.Encontrei-a na feira de Gondomar, de onde também trouxe tecidos lindos para fazer aventais de jardinagem.

sexta-feira, março 25, 2005

em março, tanto durmo como faço


As férias servem para isso mesmo : parar, descansar e planear as tarefas seguintes no jardim. Depois de ter passado a tarde a vigiar as sementeiras, a arrancar ervas daninhas nos canteiros e a podar os "ladrões" das roseiras, sentei-me finalmente a escrever.
Elegi como tarefas a executar proximamamente:
- a preparação dos canteiros para as próximas culturas (dálias e gladíolos)
- cavar e aplicar composto no terreno destinado à horta biológica
- a aplicação de estrume nos morangeiros
- a última poda das roseiras
- a sementeira de ervilhas-de-cheiro e cosmos
- a sementeira em viveiro de aipo, beringela e, novamente, tomate.
- as sementeiras dos feijões, cenouras e rabanetes serão feitas em lugar definitivo uns dias após a aplicação do composto.
Aproximam-se tempos animados :-)

quinta-feira, março 24, 2005

solanum tuberosum


(A designação botânica está em latim, mas não são romanas :-D . Obrigada fp)

Para me redimir do "prego" sobre as batatas, andei a consultar tudo o que tinha sobre a história dos alimentos e plantas. Estes são os dados que achei mais interessantes:
- a batata é cultivada em cerca de 18 milhões ha de terra e atinge uma produção anual mundial de 300 milhões de toneladas;

- actualmente, 150 países cultivam batatas; em 2001, a China estava à cabeça da lista de maiores produtores;
- existem cerca de 2.000 espécies de solanum distribuídas pelo sudoeste dos EUA, México, América Central e América do Sul (com elevada concentração na zona dos Andes); nas zonas mais altas, os camponeses andinos podem cultivar entre 10 a 20 variedades diferentes de batatas num mesmo campo;
- a troca de sementes de batata e de tubérculos em feiras e nas reuniões de família é uma das tradições seculares dos Andes;
- a variedade de formas, cores e texturas destes tubérculos é enorme; tal como o esquimó denomina a neve de diferentes formas, a língua Quechua dispõe de muitos vocábulos para designar os diferentes tipos de batatas: “nariz de gato” (um tipo de batata comprida) ou “a batata que faz as noivas chorar” (uma qualidade de batata que é muito difícil de descascar) são alguns exemplos;
- o maior banco de germoplasma de batatas está a cargo do
Centro Internacional de la Papa, no Perú;
- no sul do Chile, foram encontrados vestígios que permitem datar a existência de batatas selvagens em 11.000 AC; as primeiras evidências do seu cultivo datam de 5000 AC (planalto entre Cusco e o Lago Titicaca);
- sir Walter Raleigh introduziu a batata em Inglaterra em 1586; a generalização da cultura da batata em França deve-se a Antoine-Augustin Parmentier (farmacêutico e químico francês do séc. XVIII); nos outros países da Europa, a expansão foi lenta. De um mero legume de jardim, a batata passou a ser uma planta de grande cultura a partir do século XIX.

Dados recolhidos em:
Fumey, Gilles e Etcheverria, Olivier. Atlas mondial des cuisines et gastronomies : Une géographie gourmande. Paris: Éditions Autrement, 2004

Laws, Bill. Spade, Skirret and Parsnip. The curious history of vegetables. Sutton Publishing Limited, 2004
Lewington, Anna. Plants for people. Eden Project Books, 2003
Ritchie, Carson I.A. Comida e Civilização. Lisboa: Assírio & Alvim, 1981

terça-feira, março 22, 2005

poupança e reciclagem de água


Não é por estarmos em período de contenção de água que vamos deixar morrer as plantas à sede. Eis algumas dicas que podem ajudar a contornar a seca no jardim, nos vasos e floreiras:
- espalhe estilha nos canteiros: para além de prevenir o aparecimento de ervas daninhas, retem a água no solo. Pode recolher gratuitamente o seu saco de estilha de madeira na Lipor.
- conheça bem as necessidades de água das suas plantas. Se estiver a planear o seu jardim de raiz, invista em plantas resistentes à seca e que necessitem de menor quantidade de água para se desenvolverem.
- regue as suas plantas com água reciclada. Aproveite a água do aquário e a água de cozer legumes ou ovos. Depois de arrefecida, claro.
- recolha a água da chuva em contentores.
- faça o seu próprio sistema de rega gota-a-gota, reutilizando as garrafas de plástico: perfure a tampa (4 a 8 pequenos buracos); corte o fundo da garrafa com uma faca de serrilha; coloque a rolha e enterre junto a uma planta ou conjunto de plantas até 1/3 da garrafa; encha de água.

as frésias já abriram!!


Conheço alguém que achava que a minha flor preferida se chamava "morangueira"!!! ;-) A mi tambien me gustan las fresas!