quinta-feira, março 31, 2005

pendurem os guarda-chuvas


... porque a chuva parou. Mal posso esperar pelo final da tarde para pôr as mãos na terra: aplicar o composto na futura horta, preparar os canteiros das dálias e dos gladíolos e acabar de cortar a relva.

terça-feira, março 29, 2005

bloom


A melhor revista para celebrar as flores e todo o mundo vegetal. No número 11, uma excelente reportagem fotográfica sobre a Wiener Gemüseorchester (Orquestra de Legumes de Viena). Uma orquestra formada por oito músicos, um técnico de som e ... um cozinheiro.

domingo, março 27, 2005

páscoa feliz


(ilustração Marcel Marlier - Anita e as quatro estações)

A pena que eu tinha, quando era pequena, que a tradição de esconder ovos de Páscoa no jardim não fosse portuguesa...

sábado, março 26, 2005

dia de sementeira


As sementes minúsculas são difíceis de semear em viveiro. A melhor forma consiste em distribuí-las com um papel dobrado ou misturá-las com areia fina. As sementes devem ser espalhadas sobre o terreno húmido o mais regularmente possível e com a densidade que parecer conveniente.

outras informações úteis sobre sementeira em viveiro
1. lavar bem os vasos ou tabuleiros. Os copos de iogurte, os rolos de papel higiénico vazios ou as embalagens de ovos podem também servir como contentores para sementeiras.
2. a terra a usar nas sementeiras deve ser fofa e estar livre de outras sementes. Se se pretendem obter plantas para transplantar, a terra deverá ser pobre para favorecer a formação de raízes. O enriquecimento do solo deve só ser feito na fase da transplantação. A terra deve ser preparada 10 a 15 dias antes de semear. No número 2 da revista Terra Verde encontrei uma excelente receita para banir as ervas daninhas da terra para viveiros: ferver água, na proporção de 3 litros por m2 de terra a usar e regá-la rapidamente com a água em ebulição. Deixar a terra em repouso durante dois dias e utilizar. Também se pode usar substrato próprio para sementeiras à venda nas grandes superfícies.
3. ler bem as indicações na parte de trás do pacote de sementes sobre o quando, onde e como semear o seu conteúdo.
4. resistir à tentação de "despejar" todas as sementes para o vaso ou tabuleiro. O espaço conveniente ao desenvolvimento da planta deve ser respeitado.
5. nem todas as sementes necessitam de ser cobertas com terra. As sementes de papoila, ao contrário das violetas ou dos tomates, não precisam de ser cobertas. Procurar esta informação nos pacotes de sementes ou, no caso de dúvida, cobrir a sementeira com vermiculite (à venda nas lojas de jardinagem).
6. cobrir as sementeiras com filme transparente ("glad") ou com o plástico transparente com furinhos em que o pão é embalado nos supermercados.
7. manter os vasos ou tabuleiros a uma temperatura constante e quente (o peitoril da janela é um excelente local). Ter em atenção que há sementes que só germinam na total ausência de luz. Verificar se é o caso.
8. uma vez germinadas, remover os plásticos protectores e colocar os recipientes numa zona com boa luz.
9. quando as plantas já estiverem prontas para transplantar (ex. as alfaces estão prontas a transplantar quando têm 3 ou 4 folhas), pegar na planta por uma folha e retirar do vaso para um tabuleiro maior ou mesmo para o local definitivo.

ferramenta nova


Não posso deixar de registar a minha última aquisição: uma ferramenta que consiste na combinação de uma lança + gadanho (esquerda). Excelente para abrir os sulcos na terra para receber as plantinhas transplantadas.Encontrei-a na feira de Gondomar, de onde também trouxe tecidos lindos para fazer aventais de jardinagem.

sexta-feira, março 25, 2005

em março, tanto durmo como faço


As férias servem para isso mesmo : parar, descansar e planear as tarefas seguintes no jardim. Depois de ter passado a tarde a vigiar as sementeiras, a arrancar ervas daninhas nos canteiros e a podar os "ladrões" das roseiras, sentei-me finalmente a escrever.
Elegi como tarefas a executar proximamamente:
- a preparação dos canteiros para as próximas culturas (dálias e gladíolos)
- cavar e aplicar composto no terreno destinado à horta biológica
- a aplicação de estrume nos morangeiros
- a última poda das roseiras
- a sementeira de ervilhas-de-cheiro e cosmos
- a sementeira em viveiro de aipo, beringela e, novamente, tomate.
- as sementeiras dos feijões, cenouras e rabanetes serão feitas em lugar definitivo uns dias após a aplicação do composto.
Aproximam-se tempos animados :-)

quinta-feira, março 24, 2005

solanum tuberosum


(A designação botânica está em latim, mas não são romanas :-D . Obrigada fp)

Para me redimir do "prego" sobre as batatas, andei a consultar tudo o que tinha sobre a história dos alimentos e plantas. Estes são os dados que achei mais interessantes:
- a batata é cultivada em cerca de 18 milhões ha de terra e atinge uma produção anual mundial de 300 milhões de toneladas;

- actualmente, 150 países cultivam batatas; em 2001, a China estava à cabeça da lista de maiores produtores;
- existem cerca de 2.000 espécies de solanum distribuídas pelo sudoeste dos EUA, México, América Central e América do Sul (com elevada concentração na zona dos Andes); nas zonas mais altas, os camponeses andinos podem cultivar entre 10 a 20 variedades diferentes de batatas num mesmo campo;
- a troca de sementes de batata e de tubérculos em feiras e nas reuniões de família é uma das tradições seculares dos Andes;
- a variedade de formas, cores e texturas destes tubérculos é enorme; tal como o esquimó denomina a neve de diferentes formas, a língua Quechua dispõe de muitos vocábulos para designar os diferentes tipos de batatas: “nariz de gato” (um tipo de batata comprida) ou “a batata que faz as noivas chorar” (uma qualidade de batata que é muito difícil de descascar) são alguns exemplos;
- o maior banco de germoplasma de batatas está a cargo do
Centro Internacional de la Papa, no Perú;
- no sul do Chile, foram encontrados vestígios que permitem datar a existência de batatas selvagens em 11.000 AC; as primeiras evidências do seu cultivo datam de 5000 AC (planalto entre Cusco e o Lago Titicaca);
- sir Walter Raleigh introduziu a batata em Inglaterra em 1586; a generalização da cultura da batata em França deve-se a Antoine-Augustin Parmentier (farmacêutico e químico francês do séc. XVIII); nos outros países da Europa, a expansão foi lenta. De um mero legume de jardim, a batata passou a ser uma planta de grande cultura a partir do século XIX.

Dados recolhidos em:
Fumey, Gilles e Etcheverria, Olivier. Atlas mondial des cuisines et gastronomies : Une géographie gourmande. Paris: Éditions Autrement, 2004

Laws, Bill. Spade, Skirret and Parsnip. The curious history of vegetables. Sutton Publishing Limited, 2004
Lewington, Anna. Plants for people. Eden Project Books, 2003
Ritchie, Carson I.A. Comida e Civilização. Lisboa: Assírio & Alvim, 1981

terça-feira, março 22, 2005

poupança e reciclagem de água


Não é por estarmos em período de contenção de água que vamos deixar morrer as plantas à sede. Eis algumas dicas que podem ajudar a contornar a seca no jardim, nos vasos e floreiras:
- espalhe estilha nos canteiros: para além de prevenir o aparecimento de ervas daninhas, retem a água no solo. Pode recolher gratuitamente o seu saco de estilha de madeira na Lipor.
- conheça bem as necessidades de água das suas plantas. Se estiver a planear o seu jardim de raiz, invista em plantas resistentes à seca e que necessitem de menor quantidade de água para se desenvolverem.
- regue as suas plantas com água reciclada. Aproveite a água do aquário e a água de cozer legumes ou ovos. Depois de arrefecida, claro.
- recolha a água da chuva em contentores.
- faça o seu próprio sistema de rega gota-a-gota, reutilizando as garrafas de plástico: perfure a tampa (4 a 8 pequenos buracos); corte o fundo da garrafa com uma faca de serrilha; coloque a rolha e enterre junto a uma planta ou conjunto de plantas até 1/3 da garrafa; encha de água.

as frésias já abriram!!


Conheço alguém que achava que a minha flor preferida se chamava "morangueira"!!! ;-) A mi tambien me gustan las fresas!

olá primavera

sábado, março 19, 2005

"too much"


A M é a minha guru para assuntos de jardinagem e horticultura. Enumerando as suas qualidades, podemos dizer que sabe de cor mais denominações de plantas que o próprio Lineu, é uma autêntica cartógrafa de viveiros, conhece todas as pechinchas e é mestre na arte da estacaria. Apresentou-me o tomateiro-batateiro:"... uma espécie que na parte aérea produz tomate, enquanto que na que fica na terra se desenvolvem batatas". Está lá, no nº1 da Terra Verde, Guia Prático de Jardinagem e Horticultura, que me acabou de mostrar.

quarta-feira, março 16, 2005

pastinaca sativa



pastinaca sativa
A pastinaca selvagem é um legume nativo da zona temperada da Europa. Dá-se bem em terrenos calcários e muito férteis. As pastinacas demoram algum tempo a crescer, pelo que devem ser semeadas logo no início da Primavera (eu semeei em Fevereiro). A sementeira pode ser feita em local definitivo, bem fundo, em solo previamente preparado com composto. A germinação é muito lenta, mesmo nas sementes mais frescas.
No tempo dos romanos, era consumida como alimento básico, a par das batatas. O seu valor nutricional, particularmente em hidratos de carbono, é elevado.
De sabor forte e adocicado inconfundível, as pastinacas podem ser usadas em sopas (ver post de 19.fev), em puré, assadas no forno ou salteadas com nozes e vinho da Madeira.

segunda-feira, março 14, 2005

viola odorata



viola odorata
A violeta é um dos primeiros sinais da primavera. Floresce de Fevereiro a Abril; deve ser plantada de Outubro a Março, de preferência em local à sombra e em qualquer tipo de solo desde que não muito ácido. São uma boa opção para cobertura de solos. As plantas devem ser divididas de cinco em cinco anos, quando ainda não tiverem florido.
Ao contrário do que se pensa, as suas folhas exalam um perfume bem mais forte do que as flores. Para além da perfumaria, a violeta pode ser usada na culinária macerada em vinho tinto ou cristalizada.

violetas cristalizadas
Com um pincel fino e macio pinte as flores de violeta com uma solução fria de goma arábica (2 colheres de chá de goma arábica e 1 colher de sopa de açúcar, dissolvidas em 250 ml de água numa tigela colocada dentro de um tacho com água quente). Polvilhe-as com bastante açúcar em pó, certificando-se que todas as superfícies ficam cobertas. Encha um tabuleiro de ir ao forno com uma camada de cerca de 1 cm de açúcar em pó e, com cuidado, disponha as flores em cima. Volte a polvilhar com bastante açúcar e ponha a secar num local quente e arejado durante 1-2 dias. Guarde as violetas num recipiente hermeticamente fechado, separadas por folhas de papel encerado. (adapt. Schwartz, Oded. Conservas. Livraria Civilização Editora, 1996)

quarta-feira, março 09, 2005

espreitando para dentro da estufa


As ervilhas já germinaram e estão a crescer a olhos vistos. Mais do que 'Orgulho do Mercado' *, são o meu orgulho! : )

* 'orgulho do mercado'
variedade de ervilha rasteira para grão, muito produtiva (c. 50 cm altura).


semear ervilhas em abrigo
A época das ervilhas inicia-se em Abril e acaba em Setembro. Para conseguir uma colheita contínua, faça sementeiras sucessivas, com intervalos de 3 semanas, de Fevereiro a Junho. A sementeira ao ar livre pode começar em Fevereiro ou Março, quando já não houver grandes chuvas e geadas.
Se preferir, pode optar por uma cultura em abrigo, transplantando as plantinhas mais tarde para o ar livre. As ervilhas devem ser semeadas a 2 cm de profundidade em tabuleiros ou vasos com substrato para sementeiras. Cubra os recipientes até à germinação e mantenha o substrato húmido (com pouca água).
No fim de Março, as ervilhas poderão ser transplantadas para o ar livre, em intervalos de 25 cm.

memória exótica



O primo embarcadiço entrava-nos pela casa dentro, de dois em dois anos, com imensas histórias que trazia das suas voltas ao Mundo. As colchas adamascadas, as sedas de Macau, a arca de cânfora chinesa e o álbum de fotografias com capa feita de asas de borboletas do Brasil foram alguns dos objectos com que ele presenteou os meus Avós quando os visitava.
A palmeira (phoenix canariensis) que temos no jardim apareceu nessas circunstâncias há 55 anos atrás. Viu crescer a minha Mãe e testemunhou as minhas manobras com o triciclo por entre os canteiros. Nós vimo-la ganhar imponência e estatuto, competindo na largura da sua copa com as outras árvores. Nossas e dos vizinhos...
Na passada semana, o cirurgião-de-árvores do Parque de Serralves veio tratar da sua limpeza e poda. Coube-lhe também a árdua tarefa de convencer a vizinha que o corte "máquina 0" que ela exigia não era de todo a solução mais saudável.
No final da manhã, mostrava-se assim airosa. Ao som do chilrear dos pássaros, que regressavam aos ninhos que ela escondia por entre os ramos.

remoção de aparas de jardim
Através da Ecolinha (800205744) da Câmara Municipal do Porto, pode solicitar a remoção de aparas de jardim.
Este serviço não é gratuito.

terça-feira, março 08, 2005

jardim virtual


O site da bbc dedicado à jardinagem voltou a surpreender-me: o bbc virtual garden é uma aplicação que permite criar ou re-desenhar jardins, e ainda experimentar uma variedade imensa de esquemas de cor e texturas diferentes.

quinta-feira, março 03, 2005

: ) cultivar legumes à varanda



Viver num apartamento na cidade já não é um obstáculo à horticultura. A empresa catalã Hortubà tornou possível o velho sonho humano de reproduzir o meio natural, mesmo que o espaço escolhido seja ... uma varanda. Segundo o fabricante, esta mesa de cultivo permite colher 1o kg de tomate, 25 kg de alface e 15 kg de pepinos por época!!
Esta maravilha da técnica é vendida em kit composto por uma mesa em aço galvanizado e um sistema de irrigação.

terça-feira, março 01, 2005

tempo de chá de limão



Ao plantar a minha horta, recuperei a noção de "fruta da época". O Inverno trouxe-me limões, que vão ganhando cor no pequeno limoeiro e se oferecem a uma colheita contínua.

tarte de limão merengada
Esmague 1 pacote e meio de bolacha Maria (num saco plástico é mais fácil). Derreta 200 gr de manteira sem sal (em banho-maria) e junte à bolacha, mexendo bem. Deite o preparado numa forma de tarte e forre-a pressionando bem a massa contra o fundo e bordos. Leve ao frigorífico durante meia-hora.
Separe a gema e a clara de 2 ovos. Misture 1 lata de leite condensado com o sumo e a raspa de 1 limão. Junte as gemas e bata bem. Deite o preparado na forma, por cima da base de bolacha e leve ao forno médio durante 10 minutos.
Bata as claras em castelo com 2 colheres de sopa de açúcar. Deite as claras por cima da tarte fazendo pequenos montículos com uma colher. Volte a meter no forno durante 5 minutos para dourar o merengue.

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

inspiração da semana



O jardim da Anita nas ilustrações de Marcel Marlier.

domingo, fevereiro 27, 2005

"o composto tem um problema de imagem"


(foto: green gardener)

Quem o diz é Allan Shepherd, o autor de "How to make soil and save Earth". É uma frase que eu cito sempre que é necessário "defender a honra" deste importante ingrediente para qualquer jardim. Composto rima com porcaria, mau cheiro, moscas e mosquitos e, pior que tudo, ... com minhocas. Mesmo os mais "verdes" conseguem evocar as maiores desculpas para não aderirem à compostagem.
No entanto, o recurso a este método de decomposição biológica é cada vez mais aconselhado. Para além de ajudar à resolução do grave problema dos resíduos sólidos urbanos, o composto é um fertilizante natural, barato e de excelente qualidade, quando correctamente produzido.

Compostagem
A compostagem é um método de transformação aeróbica de matéria orgânica por meio da acção de determinados microrganismos. A adição do composto ao solo melhora a sua estrutura, a sua capacidade de retenção de água, a actividade microbiana, o seu arejamento e aumenta a sua fertilidade.
Para aderir à compostagem, é necessário fazer ou adquirir um compostor. As lojas de bricolagem e artigos para jardim oferecem uma selecção variada. Quem vive num apartamento, mas não vê nesse facto um obstáculo à compostagem, poderá criar um mini-compostor para colocar no exterior (varanda ou pátio) a partir de um normal balde de lixo. Devem ser feitos buracos na tampa e a meio do balde para facilitar a oxigenação e a evaporação. No fundo do balde (que não deverá acentar totalmente no chão), devem ser feitos furos que permitam a drenagem mas não a saída de composto.
Uma vez forrado com papel de jornal, é só seguir as dicas do Centro de Demonstração de Compostagem da Escola Superior de Biotecnologia da Universidade Católica e do Centro de Compostagem Caseira da Horta da Formiga para se tornar num(a) verdadeiro/a compostador/a.

sábado, fevereiro 26, 2005

ver camélias


Não imagino o Porto sem camélias a abrir nas árvores ou a colorir os relvados com as suas pétalas caídas.
Hoje, o tempo destinado à jardinagem será substituído por uma visita ao Viveiro Municipal do Porto (Quinta das Areias). A visita é guiada pelo Dr. João Gonçalves da Costa e organizada pela Associação Campo Aberto (contacto@campoaberto.pt).

sexta-feira, fevereiro 25, 2005

jardineira de fim-de-semana


amsterdão 2004

Como não posso jardinar à semana (à hora a que acabo de trabalhar já o sol desapareceu), desforro-me na leitura: livros sobre a história dos jardins e das plantas ou livros técnicos vão tomando vez na mesa-de-cabeceira. Aos pares, lidos alternadamente :-) Ocupam-me actualmente, nos trinta minutos prévios ao sono, "Spade, Skirret and Parsnip: the curious history of vegetables"e "The Plant Hunters: two hundred years of adventure and discovery around the world".
Neste último, relatam-se as campanhas britânicas de recolha de exemplares botânicos (plantas, sementes e alimentos exóticos) para investigação, cultivo e comércio. Da viagem de Sir Joseph Banks a bordo do Endeavour às expedições de Frank Kingdon-Ward no reino da papoila azul (meconopsis betonicifolia), as histórias contadas neste livro permitem-nos conhecer a verdadeira origem de plantas como a orquídea, o rododendro ou a araucária, e ainda os detalhes da vida aventurosa destes corajosos botânicos.

quarta-feira, fevereiro 23, 2005

está finalmente a !!!

segunda-feira, fevereiro 21, 2005

day after

Que roseira irá ser esta? Anã, trepadeira, com ou sem espinhos?

domingo, fevereiro 20, 2005

uma papoila crescia crescia



"Uma papoila crescia, crescia, grito vermelho num campo qualquer. Como ela somos livres, somos livres de crescer".
Hoje é dia de eleições!

papaver
as papoilas são flores campestres, delicadas (a flor dura pouco tempo, as suas pétalas sáo finíssimas), que ficam bem em qualquer canteiro. Além das famosas papoiolas vermelhas, podemos encontrar ainda brancas, laranja, rosa ou amarelas. Autopropagam-se facilmente.
A papaver orientale (a minha preferida) é uma vivaz, que cresce em tufos e floresce da Primavera até meados do Verão. As suas flores têm um diâmetro acima da média. No final do Verão, às flores sucedem as cápsulas de sementes que se podem guardar até à Primavera seguinte.
Devem ser cultivadas em solo fértil, com boa drenagem, ao sol. Na Primavera, podem ser semeadas em local abrigado e, depois, transplantadas. A parte aérea das papaver orientale deve ser cortada após a floração para forçar o aparecimento de novas flores no Verão.

sábado, fevereiro 19, 2005

sábado à tarde



Estava uma tarde tão simpática que não resisti a adiar os trabalhos do mestrado. Para lá do muro, o meu vizinho entretinha-se nas podas. Trocamos lamúrias acerca do tempo que está a deixar "baralhadas" as plantas. Passamos de lá para cá e de cá para lá as sementes de sobra de cada um: tomate coração de boi para ele, penca da Póvoa para mim. Riu-se imenso com os nomes dos outros legumes que semeei em alfobre: pastinaca, aipo, tomate-cereja. "Ó menina, deixe-se disso! Plante mas é uns cebolos, umas ricas pencas... Olha agora, legumes da terra dos bifes"! Tive de guardar para mim a minha devoção pela sopa de pastinacas com maçãs e gengibre. Descobri-a na cantina da Universidade e aqueceu-me no inverno inglês do ano passado. Deliciosa!
Transplantei os ranúnculos para um canteiro que já tinha estrumado há uma semana. Descobri um estrume sem cheiro na Jardiland (não consigo resistir a estas "modernices"). Plantei begónias e semeei zínias e sécias (Princesa!). Preparei um alfobre em mini-estufas para as mui delicadas e sensíveis violas brancas e "olho-de-tigre" que ando a tentar criar há imenso tempo. Desta vez, seguirei à risca as indicações do produtor das sementes.
Mondei os canteiros previamente regados. A terra deve estar boa porque as urtigas voltaram a aparecer em força. Sachei entre as roseiras, preparando a terra para receber um adubo biológico à base de sangue bovino. Achei que esta informação poderia interessar ao meu vizinho, uma vez que ele é o dono do talho do largo. "Então não sei? Como é que pensa que eu adubo os meus vasos?" E deu-me a receita para as suas plantas vistosas: pôr uma cabeça de boi de molho em água e regar com esse preparado no dia seguinte! Pois ...

sexta-feira, fevereiro 11, 2005

little sparta



cupid arrow (fotografia de philip hunter)

O jardim de Ian Hamilton Finlay (Dunsyre . Reino Unido).

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

ainda as peónias

Tenho a certeza que são peónias, e não peonias como já ouvi alguém chamar. É um nome que faz parte do meu imaginário de infância, de tanto ouvir a minha Avó dizê-lo. Acho que, a par das rosas, eram as flores preferidas dela.
Apesar disso, nunca tivemos peónias no jardim. Restava-me imaginá-las, gordas e imponentes, a decorar um chapéu de palha de uma senhora igualmente anafada, corada e bem disposta.

Cultivar peónias
Plantar - as peónias devem ser plantadas em solo fértil e húmido, com boa drenagem, ao qual se deve adicionar composto antes de plantar. Preferem sol directo, embora também se possam desenvolver em sombra parcial. Gostam de crescer ao abrigo dos ventos frios e secos. As suas raízes não podem ser plantadas a mais de 2 cm de profundidade.
Adubar - se o solo tiver sido bem fertilizado na altura da plantação, pode não haver necessidade de adubar durante anos. No entanto, na falta de nutrientes, aplicar um punhado de composto no inverno e regar.
Transplantar - ao contrário do escrito em alguns livros de jardinagem, há quem defenda que as peónias podem mesmo ser transplantadas. Especialmente se os seus tubérculos não tiverem sido ainda divididos.
Cortar - estacas de raiz no Inverno ou dividir os tubérculos no Outono ou no início da Primavera. As estacas semilenhosas das peónias arbustivas podem ser cortadas no Verão.
Podar - as hastes das peónias arbustivas que deram flor no ano anterior e os ramos velhos devem ser podados para fomentar a emissão de novos lançamentos.
Tratar - as peónias podem sofrer de murchidão-das peónias, uma doença causada por um fungo que torna os caules negros e flácidos (manchas castanhas ou cinzentas). Nesse caso, cortes os caules até à parte saudável, mesmo que subterrânea, e aplique um fungicida.
Se a peónia não florir - a falta de floração pode dever-se a três situações:
- foi plantada muito fundo. A solução é retirar o tubérculo da terra no Outono e voltar a plantá-la correctamente.
- se os botões estiverem secos, a planta não foi suficientemente regada durante a época de crescimento, na Primavera.
- muita sombra, o que pode provocar a secura dos botões.

sábado, fevereiro 05, 2005

urtica dioica



Acabei de ver na Blue Living deste mês um artigo sobre as urtigas no qual se recuperam imensas utilizações. Fiquei também a saber que as urtigas "picam" por acção de "um verdadeiro cocktail químico, rico em histamina, formiato de sódio, serotonina e acetilcolina, que está contido sobre pressão na base dos pêlos. Estes pêlos, também chamados dardos, estão impregnados de sílica, e quebram-se como autênticos vidros quando entram em contacto com a nossa epiderme, libertando o líquido urticante. A histamina é, então, a responsável pela sensação de queimadura". Explicado.
Para além das propriedades fertilizantes da sua infusão, rica em azoto, potássio, cálcio e magnésio, as urtigas (depois de arrancadas pela raiz!!) podem ser úteis nas hortas e jardins: a mesma infusão diluída é um potente insecticida biológico (contra pulgões, por exemplo) e, acrescentadas ao composto, aceleram a sua fermentação.
As suas folhas são deliciosas quando cozinhadas. Devem-se escolher as folhas mais jovens das urtigas sem flor. As folhas devem ser arrancadas dos caules e lavadas em três águas.
O seu uso culinário é praticamente o mesmo do espinafre. Em Itália, as urtigas substituem-no muitas vezes na preparação de massa fresca:

taglietelle con le ortiche
(taglietelle fresco com urtigas)

Lave cuidadosamente as folhas tenrinhas de 2 kg de urtigas em água fria. Branqueie-as em água a ferver com sal durante 1 minuto (até amolecerem). Escorra bem, expremendo bem o excesso de água. Forme 3/4 bolas do tamanho de um ovo. Coloque o resto das urtigas de parte. Deixe arrefecer.
Peneire 350 gr da farinha mais fina (semolina), com 300 gr de farinha tipo "00" para dentro de uma taça e junte sal e pimenta, 3 ovos, 10 gemas de ovo e as bolas de urtigas. Bata a massa (na batedeira ou à mão) até estar macia e de um verde brilhante; no caso de estar pegajosa, junte um pouquinho mais de farinha. Prepare a mesa de trabalho, pulverizando-a com farinha. Parta a massa em 2 partes e amasse-as com ambas as mãos durante 3-4 min. Embrulhe cada uma das partes de massa em glad e coloque no frigorífico durante pelo menos 1 hora.
Corte a massa em taglietelle (o melhor é cortar na máquina para fazer massa) e coza-a com as restantes urtigas em água abundante com sal, durante 1 minuto. Verifique a cozedura e, uma vez al dente, escorra e guarde 3-4 colheres de sopa da água da massa. Deite essa água numa tigela para massa (aquecida), adicione 150 gr de manteiga sem sal amolecida, sal e pimenta e finalmente a massa e as urtigas. Misture cuidadosamente e sirva imediatamente em porções individuais polvilhadas com parmesão ralado na hora.

(trad. de "River Cafe Cookbook Green", de Rose Gray e Ruth Rogers)

Se não estiver para "arriscar" tantos ovos nesta experiência, o esparregado é outra hipótese.

quinta-feira, fevereiro 03, 2005

a horta da primavera

Ontem semeei favas, ervilhas, nabos e rabanetes. Um pouco tarde, mas decidi tentar a minha sorte.

Durante as férias de Carnaval, vou aplicar composto no terreno e prepará-lo para receber os rebentos quando for a altura de os transplantar. Re-aprendi a fazer composto, no ano passado, num curso na Horta da Formiga. Afinal, a compostagem era um hábito que eu já conhecia bem. Em casa dos meus avós, era costume depositar as folhas velhas das saladas, as cascas das batatas, da fruta e dos ovos num cantinho ao fundo do jardim. Eu achava aquilo medonho porque sabia que nas imediações dessa pilha a presença de minhocas gorrrrrdas era quase certa. Apesar de ser em plena cidade, gestos como estes de vaga reminiscência rural eram habituais: picar os troncos das couves para as galinhas, ferver as urtigas para fazer chá para "adubar" , plantar cravos túnicos no meio das roseiras para afastar as pragas eram algumas das actividades em que eu me lembro de participar.
Hábitos antigos, práticas biológicas que as cidades parecem descobrir agora.

chegaram as peónias!


Fizeram-me correr várias vezes para a Baixa, mas agora é certo: chegaram as peónias ao Alípio Dias. Vieram seis variedades diferentes e a fabulosa Sarah Bernhardt é uma delas.
Verdadeiras(os) aficionadas(os) devem consultar o site dos viveiros da Claire Austin.

quarta-feira, fevereiro 02, 2005

jardim à janela


campo alegre * porto

flower power :-)

segunda-feira, janeiro 10, 2005

paradise haunts gardens and it haunts mine (derek jarman)


jardim de derek jarman (prospects cottage. dungeness. kent. uk)


derek jarman em prospects cottage.

Derek Jarman (1942 - 1994), um dos mais importantes realizadores independentes da sua geração, foi também um prestigiado artista e escritor. A sua criatividade revelou-se através de diversas formas artísticas, como a cenografia e ... a jardinagem.
Jarman foi um aficionado da jardinagem desde criança. No seu jardim de Prospects Cottage, em Dungeness (Reino Unido), combinou sentido artístico com a sua experiência de horticultor e as suas convicções ecológicas. Transformou esse local adverso e inóspito, próximo da central nuclear de Dungeness, num jardim-paraíso onde as plantas autóctones se misturam com esculturas feitas de conchas, pedras, velhas alfaias e objectos encontrados por Jarman.
Este jardim é a alegoria de uma nova natureza e de um novo Jarman que poderá ser descoberto nos textos e filmes que produziu nos últimos anos de vida, no seu exílio em Kent: aberto, exposto, vulnerável e belo.

domingo, janeiro 09, 2005

tesouras de poda manuais



Há muitos tamanhos, tipos e modelos de tesouras de poda.
Segundo o tamanho, podem dividir-se em:
* de (uma) mão: só é necessária uma mão para as usar; servem para cortar ramos finos (até 2,5 cm de diâmetro). Existem diversos tamanhos adequados ao tamanho de cada mão (1)
* de duas mãos: são necessárias as duas mão para as usar; podem cortar ramos até 4-5 cm. (2, 4, 5)
Segundo o tipo de corte, podem ser :
* de duas lâminas.
* de golpe: uma parte corta, a outra fixa (5)
* de by-pass: uma parte corta e cruza sobre a parte fixa (1 e 4)

sábado, janeiro 08, 2005

a poda de roseiras

A primeira poda das roseiras deve ser efectuada no final do inverno, quando a época das grandes geadas já tiver passado.
Nos anos seguintes, dever-se-ão podar as variedades trepadeiras no final do inverno, e após a floração no caso das não-trepadeiras.

* cortar sempre com uma tesoura de podar 1 cm acima do olho, em bisel (4)



certo errado errado errado

* eliminar os ramos mortos e os ladrões.
* eliminar os pequenos ramos menos vigorosos.
* eliminar os ramos que estiverem a roçar noutros mais bem colocados.
* eliminar os ramos menos correctos.

as moitas de roseiras
·no primeiro ano, podar para que fiquem com cerca de 10-15 cm, para que nasçam uns rebentos vigorosos.
·nos anos seguintes, podar a cerca de 12-20 cm do solo.
·conservar 4 ou 5 ramos. Tendo em conta o seu vigor, deixar ficar entre 2 a 5 olhos nesses ramos (quanto mais vigorosa for a roseira, menos será necessário encurtá-la).
·cortar de preferência acima de um olho virado para fora de forma a desocupar o centro (5-1º ano/2º ano ).


as roseiras trepadeiras
* no 1º ano, podar muito pouco as roseiras trepadeiras com flores de grandes dimensões, no fim do Inverno.
* nos anos seguintes, eliminar rente ao pé da roseira os ramos com mais de um ano, com casca cinzenta ou castanha. Se tiver nascido um rebento forte num ramo velho, cortar o ramo logo acima do novo rebento (6).


as roseiras arbustos
· podar no primeiro ano para evitar um desenvolvimento demasiado rápido dos ramos.
· nos anos seguintes, contentar-se com uma limpeza normal.
· cortar todos os restantes rebentos para cerca de metade do seu comprimento.
· prestar atenção para manter uma forma harmoniosa (7).

(adapt. Mestre Maco)

sexta-feira, janeiro 07, 2005

plantar roseiras

As roseiras, recebidas em caixas ou em vaso podem ser plantadas durante todo o ano. Plantar as roseiras com raízes nuas desde o fim de Outubro (período ideal) até meados de Abril.
Não plantar em períodos de gelo ou se a terra estiver demasiado molhada.

onde
* escolher um local bem exposto ao sol, abrigado do vento e não muito húmido. Evitar os locais francamente expostos a Norte ou Sul.

como
* fazer um buraco suficientemente grande e profundo; as raízes devem caber facilmente.
* desfazer os torrões de terra até 30 cm de profundidade. Adicionar um composto de estrume ou adubo se o solo for demasiado calcário, muito pesado ou argiloso. Nunca colocar as raízes em contacto com o estrume ou o adubo.
* para que as roseiras criem mais facilmente novas raízes depois de serem transplantadas, envolver as raízes da roseira em terra amassada com estrume, mergulhar as raízes em lama argilosa enriquecida de hormonas pronta a ser utilizada.
* colocar o ponto de enxerto ao nível do solo depois de ter cortado as raízes estragadas ou mal cortadas. Separar bem as raízes no fundo do buraco.
* deitar terra fina entre as raízes.
* terminar de encher o buraco (1).



* exercer pressão junto ao pé da roseira e regar generosamente na parte calcada da terra para que esta adira bem às raízes. As roseiras anãs e Polyanthas não devem ultrapassar uma altura de 10 cm e as roseiras trepadeiras uma altura de 30 a 40 cm. Podar se os pés das roseiras tiverem um comprimento superior.
* uma semana depois da plantação tapar as roseiras para proteger o ponto de enxerto utilizando turfa ou terra arenosa (2).



* retirar esta protecção na Primavera.

como estacar
* enterrar a estaca no solo antes de plantar a roseira, para não danificar o enxerto nem as raízes.
* colocar a roseira de encontro a uma estaca com cerca de 2 cm de diâmetro, plantada do lado oposto aos ventos dominantes. A extremidade da estaca deverá situar-se ligeiramente acima da parte superior da roseira

dispôr em espaldeiras - roseiras trepadeiras
* afastar a roseira de 25 a 30 cm da base do suporte (gradeamento de ripas, caramanchão, fios de ferro/arames instalados horizontalmente num muro, etc.)
* dirigir as raízes na direcção oposta à do suporte. Os ramos deverão ser fixados à medida que forem crescendo (3).




(adapt. Mestre Maco)


william shakespeare 2000 e the mayflower (david austin roses)

escolher roseiras

tipos de roseiras
* platibandas e tufos: roseiras híbridas de chá e flor (distância de plantação: 0,35 a 0,50 m)
* terrenos rochosos, sebes, canteiros: roseiras miniaturas (distância de plantação: 0,25 m)
* sebes e corredores: roseiras trepadeiras (distância de plantação: 1,60 a 1,80 m)
* muros, pérgulas, vedações: roseiras trepadeiras (distância de plantação: 1,50 m)
* plantação isolada, em maciço ou sobre relva: pés de roseiras (distância de plantação: 1 m no mínimo), roseiras tipo chorão (árvore) (distância de plantação: 2 m)

qualidades de uma boa roseira
- ramos: casca verde, não muito torcidos, bem afastados, rebentos visíveis
- raízes: bem duras, cabeludas, com 20 cm de comprimento no mínimo.

sexta-feira, dezembro 24, 2004


cerejeira japonesa

jardim/jardins

O jardim é para o filósofo o espaço simbólico do cosmos do seu autor. Frequentemente, é fechado, íntimo, e até misterioso. Concentram-se nele as formas que exprimem a ordem do universo do seu criador e que este quer revelar a si próprio e ao mundo. O jardim simboliza: liga o homem a universos imaginários desde a origem dos tempos. É também um espaço fechado onde se cultivam vegetais úteis, de acordo com conhecimentos, experiências e fontes de inspiração do seu autor. A referência pode ser o vizinho, Versalhes ou Hampton Court.
Ao longo da história, a sua riqueza e a sua diversidade são imensas. No Ocidente, foi babilónico, egípcio, romano, medieval, italiano, barroco ou inglês. É conhecido noutras culturas como as dos países muçulmanos ou do Extremo Oriente. Obra de arquitecto, é restaurado periodicamente como património que testemunha uma cultura, um estilo, uma época e a originalidade eventual do seu autor. O jardim acompanha a vida dos homens, mais velhos do que novos, e exprime uma perfeição ideal na relação com a natureza. É perene e efémero, jardim de inverno ou de verão, adaptando-se às estações e colocando-se à mercê dos sentidos. Quando público, procura a consagração do seu autor, jardineiros e encomendador. Se privado, traduz o mundo íntimo de uma amador apaixonado, de um mecenas, ou de um simples habitante. Pode ser uma jardim de um castelo ou de um subúrbio.
É também funcional. Cada uma das suas partes se adapta a uma utilidade: pomar, horta, medicinal, de flores, botânico, aquático; pode ser alpino, mediterrânico, e sugerir, enquanto jardim selvagem ou ecológico, a liberdade de crescimento e o desenvolvimento das plantas e dos animais. Cada período da história cultural de uma sociedade é marcado pelos seus jardins. Reportando-se à linguagem artística, bem como às formas da natureza selvagem (a primeira natureza) ou cultivada ( a segunda natureza), os jardineiros e paisagistas reinventaram uma terceira natureza, organizada pela geometria e arquitectos no caso do jardim regular, ou inspirada pela arte pictórica no caso do jardim sensível.
Sendo um lugar concreto, o jardim pode também ser utilizado como metáfora, não somente em literatura, teatro ou cinema, mas também no discurso corrente. Ao qualificar la Touraine como o jardim de França, pretende-se dizer que a França, como o Vale do Loire é terra fértil na qual os homens podem encontrar a riqueza e a felicidade. Da mesma forma, quando o paisagista Gilles Clément ilustra a sua ideia de jardim planetário com La Villette, propõe que “ juntos decidamos que a terra é um só e pequeno jardim”. A sua mensagem – ecológica - sugere que é possível “consumir sem degradar, viver sem destruir”, à qual o sociólogo Edgar Morim chamaria uma utopia realista e não quimérica.
O interesse por jardins revela, na cultura ocidental, uma evidência que o transforma em argumento retórico alternativo ao caos urbano, ao risco de envenenamento dos alimentos, à degradação do património natural ou à miséria sociológica dos subúrbios. Ninguém resiste à retórica do jardim, universo angélico de beleza, de bondade e de pureza. A ideia de jardim funciona como lugar simbólico de um discurso crítico que condena a vida actual sem imputar a causa à sociedade que a produz.

trad. e adapt. Donadieu, Pierre. La société paysagiste. Arles: Actes Sud, 2002.

quinta-feira, dezembro 23, 2004

jardins favoritos

emscher park (duisburg. ruhr. alemanha)